Há na prática do perdão, e na prática do bem, em geral, além de um efeito moral, um efeito também material. A morte, como se sabe, não nos livra dos nossos inimigos. Os Espíritos vingativos perseguem sempre com o seu ódio, além da sepultura, aqueles que ainda são objeto do seu rancor. Daí ser falso, quando aplicado ao homem, o provérbio: “Morto o cão, acaba a raiva”.
O Espírito mau espera que aquele a quem queira mal esteja encerrado em seu corpo, e assim menos livre, para mais facilmente o atormentar, atingindo-o nos seus interesses ou nas suas mais caras afeições.
É necessário ver nesse fato a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo daqueles que apresentam certa gravidade, como a subjugação e a possessão. O obsedado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas de uma vingança anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta. Deus permite a situação atual, para os punir do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar.
Importa, pois,com vistas à tranqüilidade futura, reparar o mais cedo possível os males que se tenham praticado em relação ao próximo, e perdoar aos inimigos, para assim se extinguirem, antes da morte, todos os motivos de desavença, toda causa profunda de animosidade posterior.
Dessa maneira se pode fazer, de um inimigo encarnado neste mundo, um amigo no outro, ou pelo menos ficar com a boa causa, e Deus não deixa ao sabor da vingança aquele que soube perdoar. Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não quer apenas evitar as discórdias na vida presente, mas também evitar que elas se perpetuem nas existências futuras. Não sairás de lá, disse ele, enquanto não pagares o último ceitil, ou seja, até que a justiça divina não esteja completamente satisfeita.
A misericórdia é o complemento da mansuetude, pois os que não são misericordiosos também não são mansos e pacíficos. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam uma alma sem elevação e sem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio das almas elevadas, que pairam acima do mal que lhes quiseram fazer. Uma está sempre inquieta, é de uma sensibilidade sombria e amargurada. A outra é calma, cheia de mansuetude e caridade.
Infeliz daquele que diz: Eu jamais perdoarei! Porque, se não for condenado pelos homens, o será certamente por Deus. Com que direito pedirá perdão de suas próprias faltas, se ele mesmo não perdoa aos outros? Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que se deve perdoar ao irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete.
Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar. Uma é grande nobre, verdadeiramente generosa, sem segunda intenção, tratando com delicadeza o amor próprio e a suscetibilidade do adversário, mesmo quando a culpa foi inteiramente dele. A outra é quando o ofendido, ou aquele que assim se julga, impõe condições humilhantes ao adversário, fazendo-o sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar. Se estender a mão, não é por benevolência, mas por ostentação, a fim de poder dizer a todos: Vede quanto sou generoso!
Nessas circunstâncias, é impossível que a reconciliação seja sincera, de uma e de outra parte. Não, isso não é generosidade, mas apenas uma maneira de satisfazer o orgulho. Em todas as contendas, aquele que se mostra mais conciliador, que revela mais desinteresse próprio, mais caridade e verdadeira grandeza de alma, conquistará sempre a simpatia das pessoas imparciais.
"Se vosso irmão pecar contra ti, vai, e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás a teu irmão. Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. (Mateus, XVIII: 15, 21e 22). "
“Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia. (Mateus, V: 7)”.
“ Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados. (Mateus, VI: 14 e 15).”
"Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pegares o último ceitil. (Mateus, V: 25e 26)."
[1] O livro dos espíritos – Cap10 Bem aventurados os misericordiosos, Perdoai para que Deus vos perdoe.
[2] O livro dos espíritos – Cap10 Bem aventurados os misericordiosos, Reconciliar-se com os adversários.
domingo, 25 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O Perdão
Ola Pessoal!
Vamos falar hoje de uma capacidade da alma que pode ser de grande ajuda em nosso aprimoramento moral e conseqüentemente em nossa evolução espiritual. Mas o que seria o perdão? É um processo mental e espiritual de cessar o ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou a si mesmos, decorrente a uma falta cometida.
Todo ser humano busca para si mesmo a paz e a bonança, e quando temos dentro de nós o sentimento de culpa e pesar ele acaba se tornando para nós um suplicio na forma de remorso, sentimento esse que aos poucos aniquila nosso amor próprio e nos impede em muitos momentos de podermos seguir em frente de “cabeça erguida”.
Alguns irmãos infelizmente usam a palavra “Desculpa” como uma “palavrinha mágica”, que é usada para retirar todo o desconforto gerado após uma atitude errônea, usam-na de forma leviana e sem ter considerado seu verdadeiro significado. Fazem dela uma “carta na manga” para momentos em que precisam ser bem visto após um erro, como se estivessem seguindo apenas normas de ética e/ou etiqueta.
Quando se age desta forma a pessoa se vê isenta de todo pesar e continua a agir de forma irresponsável e com o tempo tende a se acomodar, pois acha que todas suas atitudes serão desculpadas. Pessoas que agem dessa forma não conseguem ter a verdadeira visão do real perdão, que eh analisar sua falta, se botar no lugar do agredido e perceber sua real atitude, e ao perceber que foi um agressor na ocasião pedir perdão, mas com a consciência de ter ferido o próximo e com o intuito de não voltar a repetir a atitude inconseqüente.
Ao fazer a analise da situação, o individuo ira usar de seu próprio conhecimento e sua própria moral, ou seja, se limitara a seu nível de evolução, o que em muitas vezes irá turvar sua visão real, mas não podemos dizer que seja isso um problema, pois para sabermos se agimos de forma correta ou incorreta para com o outro basta respondermos a nós mesmos a seguinte pergunta: “ Eu gostaria que alguém tivesse agido dessa forma comigo?”. Lembremo-nos dos ensinamentos do Cristo de somente fazer aos outros o que queríamos que estes nos fizessem.
Em muitos momentos o nosso orgulho interfere neste ponto e nos coloca na posição de sempre corretos, mascarando nossa atitude com diversas desculpas e razoes, neste momento devemos parar e reavaliar muito nossos corações, pois podemos estar entrando em declínio moral que irá prejudicar e muito nosso convívio social e principalmente nossa caminhada evolutória.
Muitas pessoas não conseguem se perdoar por terem tomado determinadas atitudes. Quando agimos dessa forma bloqueamos o que temos de mais precioso que é a oportunidade de usarmos o hoje para refazermos um caminho correto e feliz. Devemos olhar nossos erros e aprender com eles a não repeti-los, tendo noção de nossa condição humana e falível.
Quando temos a consciência dos nossos próprios erros e imperfeições, temos então a capacidade de perdoar os outros, pois saberemos que como nós eles também são seres humanos falíveis dignos de serem perdoados. Não nos esqueçamos que em muitos momentos dissemos, sem nem perceber: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Quando analisamos a oração que em muitos momentos nos é automática vemos a profundidade de suas palavras.
Claro que devemos ter em nossa mente a consciência de que existem pessoas aproveitadoras e que as mesmas abusarão de nós se sempre as perdoarmos. Em relação a estas pessoas devem ser estabelecidos limites para que possa existir um convívio saudável e aproveitável sem nenhum tipo de abuso, e lembremo-nos em alguns casos da frase de Alfred de Musset, “Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento”.
Caso o perdão não nos seja pedido, isso não nos impede de perdoar nosso agressor quando temos noção de sua condição humana e percebemos que sua atitude foi irresponsável, irá fazer com que nos aliviemos da magoa e do ressentimento que podem ser gerados, mostrando-nos o quão forte estamos nos tornando e experimentando a paz interior que advêm da maravilhosa capacidade de perdoar.
Todo ser humano busca para si mesmo a paz e a bonança, e quando temos dentro de nós o sentimento de culpa e pesar ele acaba se tornando para nós um suplicio na forma de remorso, sentimento esse que aos poucos aniquila nosso amor próprio e nos impede em muitos momentos de podermos seguir em frente de “cabeça erguida”.
Alguns irmãos infelizmente usam a palavra “Desculpa” como uma “palavrinha mágica”, que é usada para retirar todo o desconforto gerado após uma atitude errônea, usam-na de forma leviana e sem ter considerado seu verdadeiro significado. Fazem dela uma “carta na manga” para momentos em que precisam ser bem visto após um erro, como se estivessem seguindo apenas normas de ética e/ou etiqueta.
Quando se age desta forma a pessoa se vê isenta de todo pesar e continua a agir de forma irresponsável e com o tempo tende a se acomodar, pois acha que todas suas atitudes serão desculpadas. Pessoas que agem dessa forma não conseguem ter a verdadeira visão do real perdão, que eh analisar sua falta, se botar no lugar do agredido e perceber sua real atitude, e ao perceber que foi um agressor na ocasião pedir perdão, mas com a consciência de ter ferido o próximo e com o intuito de não voltar a repetir a atitude inconseqüente.
Ao fazer a analise da situação, o individuo ira usar de seu próprio conhecimento e sua própria moral, ou seja, se limitara a seu nível de evolução, o que em muitas vezes irá turvar sua visão real, mas não podemos dizer que seja isso um problema, pois para sabermos se agimos de forma correta ou incorreta para com o outro basta respondermos a nós mesmos a seguinte pergunta: “ Eu gostaria que alguém tivesse agido dessa forma comigo?”. Lembremo-nos dos ensinamentos do Cristo de somente fazer aos outros o que queríamos que estes nos fizessem.
Em muitos momentos o nosso orgulho interfere neste ponto e nos coloca na posição de sempre corretos, mascarando nossa atitude com diversas desculpas e razoes, neste momento devemos parar e reavaliar muito nossos corações, pois podemos estar entrando em declínio moral que irá prejudicar e muito nosso convívio social e principalmente nossa caminhada evolutória.
Muitas pessoas não conseguem se perdoar por terem tomado determinadas atitudes. Quando agimos dessa forma bloqueamos o que temos de mais precioso que é a oportunidade de usarmos o hoje para refazermos um caminho correto e feliz. Devemos olhar nossos erros e aprender com eles a não repeti-los, tendo noção de nossa condição humana e falível.
Quando temos a consciência dos nossos próprios erros e imperfeições, temos então a capacidade de perdoar os outros, pois saberemos que como nós eles também são seres humanos falíveis dignos de serem perdoados. Não nos esqueçamos que em muitos momentos dissemos, sem nem perceber: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Quando analisamos a oração que em muitos momentos nos é automática vemos a profundidade de suas palavras.
Claro que devemos ter em nossa mente a consciência de que existem pessoas aproveitadoras e que as mesmas abusarão de nós se sempre as perdoarmos. Em relação a estas pessoas devem ser estabelecidos limites para que possa existir um convívio saudável e aproveitável sem nenhum tipo de abuso, e lembremo-nos em alguns casos da frase de Alfred de Musset, “Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento”.
Caso o perdão não nos seja pedido, isso não nos impede de perdoar nosso agressor quando temos noção de sua condição humana e percebemos que sua atitude foi irresponsável, irá fazer com que nos aliviemos da magoa e do ressentimento que podem ser gerados, mostrando-nos o quão forte estamos nos tornando e experimentando a paz interior que advêm da maravilhosa capacidade de perdoar.
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