quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Ilusão

Olá pessoal!

Hoje iremos falar sobre a ilusão, mas antes de tudo acredito que é interessante que conheçamos a sua definição. A ilusão é um engano causado pela nossa mente e/ou nossa emoção, assim, a ilusão nada mais é do que um erro de percepção ou entendimento. Optei por este tema devido a atual situação da sociedade, não só brasileira, mas num sentido geral. Atualmente as pessoas estão vivendo, na maior parte de seu tempo, com sua atenção voltada à mídia e as redes sociais, as quais nos impregnam das mais diversas informações.

Quando nos deparamos com as redes sociais as primeiras informações que vemos, no geral, são bons momentos e com a mídia são as formas de proporcionar esse prazer e bem-estar. Essa demonstração de alegria e este estímulo são ótimos e muito saudáveis, desde que a manifestação seja sincera e não uma tentativa de afirmação de um sentimento inexistente. O compartilhamento destes momentos é saudável; o real problema, muitas vezes, é o que se esconde por detrás das fotos. A exigência pela constante felicidade.

 Quem não quer estar bem? Acredito que ninguém concordaria com esta pergunta. Todos querem e buscam estar bem o maior tempo possível, isso é natural. Porém, não podemos nos esquecer que sendo criaturas sociais e movidas por nossos instintos e percepções limitadas, nossa mente e emoções flutuam, oscilam, constantemente frente as situações de nossas vidas.

Tudo, absolutamente tudo, na natureza segue ciclos... das situações e fenômenos mais simples até os mais colossais. Por que para os humanos seria diferente? Além do ciclo que todos conhecemos, de nascer e morrer, temos muitos outros que vivemos diariamente, a todo momento. Ciclos físicos, como os hormonais; ciclos (e vícios) mentais, manifestações emocionais, entre outros. Como podemos exigir de nós mesmo (e dos outros) a eterna felicidade?

Em meio a estes ciclos, realmente feliz é aquele que tem consciência e paz. Consciência para aproveitar com toda presença e gratidão os momentos felizes e com presença e resignação os momentos de tristeza. A paz permite que nossos olhares sejam contemplativos, na alegria ou na dor, e quando estamos contemplativos podemos analisar as situações de uma forma mais serena, aproveitando todo o conhecimento que ela pode estar proporcionando.

Mas como posso manter a paz se estou sofrendo? A paz também surge da fé e na confiança em si mesmo; a fé que nos mostra que nos tempos que virão tudo poderá melhorar; e na confiança em si encontramos a força individual de superação. Existe uma diferença grande entre dor e sofrimento*. Você pode sentir a dor, sem cair em sofrimento; enquanto alguns irmãos, muito adoecidos emocionalmente, sofrem sem terem “real” dor, além daquelas que impõem para si mesmos.
Existem diversas formas de ilusão, as que criamos para nós mesmos, as que criamos em relação aos outros e também aquelas que aceitamos dos outros. Neste primeiro post do tema iremos abordar somente a ilusão individual e no texto complementar os demais.

Uma das primeiras ilusões sobre si mesmo começam nos sonhos de infância, quando criamos nossos ideais profissionais, afetivos, pessoais, etc. Estes sonhos são basilares e impulsionam, tem seu lado positivo, porem se tornam prejudiciais a partir do momento em que nos tornamos rígidos em segui-los, dependendo do nível de realização possível.

Algumas pessoas crescem criando ideais fora da realidade e se frustram em não os alcançar, caindo em ressentimento e amargurando-se frente a vida. Outros distorcem, mentalmente, sua própria realidade frustrada e vivem nas diversas fantasias, aparentando algo que não é real, internamente pois não se sentem felizes e externamente porque nem sempre o que é exibido condiz com a real condição do sujeito. Essa auto ilusão, além de ser prejudicial, afasta o indivíduo de si mesmo, ele perde a sua individualidade.

Diversas são as formas de ilusão individual, seja ela a busca descabida pela perfeição (em qualquer nível), onde a pessoa extrapola o limite para atingir o que não está, momentaneamente, em suas forças. Quando já não se julga perfeita, o que dificulta ainda mais o crescimento e consequentemente o convívio dela com outras pessoas. O crescimento, pois, está completamente fechado a possibilidade de ter algo a melhorar e a convivência pois irá buscar fazer de todos sua imagem e semelhança, entrando em padrões de julgamento intoleráveis, conflitando constantemente com os que estão a sua volta. Quando se percebe neste padrão, acaba por cair emocionalmente em padrões de auto cobrança e humilhação interna, saindo de um extremo ao outro.

Outras formas de ilusão e defesa emocional são as procuras constantes da satisfação interna em buscas materiais. Quantos não vivem em função dos constantes prazeres e amortecimentos físicos. Alguns buscam o prazer do orgasmo a todo momento, pois aquele momento de prazer os retira momentaneamente do vazio existencial, gerando um ciclo de luxúria infindável na eterna busca pelo constante bem-estar. Outros buscam a compensação nas conquistas materiais, seja para demonstrar o poder ou para acorrentar pessoas em sua dependência, tornando-se um tirano, ou fonte de abuso, de outros indivíduos, não raro tão imaturos quanto ele (sintonia? Sim.).

Existem ainda os que buscam os escapes da realidade no mundo das drogas e das bebidas, entorpecendo completamente os sentidos. Além destas, poderíamos enumerar ainda diversas outras formas de defesa. Infelizmente, julgam-se felizes os alienados que fogem ao próprio crescimento.
Sempre que utilizamos uma defesa mental ou emocional, nos afastamos de nós mesmos. Por quê? Porque algo real que brotou de nós não foi vivido, não revelamos uma porção de nós que brotou tão espontaneamente. O sorriso é vivido de forma plena pois nos gera prazer, a lagrima nem sempre é vivida, mas gera crescimento e muitos preferem oculta-las.

Sejamos sinceros neste momento. Quantos de nós, em momentos de felicidade e bem-estar lembra-se da reforma intima e do crescimento individual, internamente falando? Poucos. Só nos lembramos da nossa fragilidade e necessidade de crescimento na dor, e geralmente para demonstrar revolta. Não é mesmo? No atual momento evolutivo do globo terrestre ainda precisamos dos momentos de dor para crescermos pois facilmente ignoramos o crescimento em momento de alegria. Precisamos das dores particulares para despertar em nós a consciência individual, precisamos das catástrofes coletivas para despertar a compaixão e a consciência coletiva, tudo isso devido ao atual nível de maturidade do ser humano.


Quando uma situação nos gera sofrimento, significa que algo em nós não teve força para aguentar a situação com serenidade, nos revelam nossas fragilidades, portanto as situações conflitantes podem ser oportunidades únicas de fortalecimento. Neste contexto a dor é sempre uma poderosa aliada, ela que fará de nós seres humanos mais fortes e conscientes de nós mesmos e consequentemente daqueles que nos cercam. Antes de entrarmos em padrões de auto ilusão, lembremo-nos da nossa condição de aprendizes na Terra, como meros viajantes de uma caminhada curta, quando comparada a eternidade. 

Que possamos experimentar essa jornada terrena em todas as suas matizes, suas formas e seu colorido, mesmo quando os “tons” não estiverem ao nosso agrado, lembrando sempre que cabe a nós mesmos mudarmos a nossa realidade e não fugirmos dela. 

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