domingo, 31 de julho de 2011

A Solidão

Olá Pessoal!

Quem de nós nunca se sentiu sozinho? Quem nunca se sentiu deixado de lado? Ou mesmo cercado de pessoas sentiu a solidão ser sua única companheira? O que faz com que sintamos esse sentimento tão amargo dentro de nossos corações? Não fomos nós que em muitos momentos e com nossos próprios pensamento e 
atitudes não nos colocamos nesta situação?

Em muitos momentos de nossas vidas, criamos uma idealização, um plano, uma história a qual desejamos seguir de forma reta e de maneira indiscutível. Isso porque todo ser humano necessita de um plano e um traçado para que possa sentir-se seguro e saber que não ficava “a ver navios” perante a vida. Mas quando isso se torna prejudicial? Quando começamos a desprezar nossas tendências naturais e as necessidades dos 
nossos corações, pois isso nos traz se não imediata mas gradualmente, a solidão.

Essa expectativa muitas vezes fantasiosa, quase sempre nos bota na busca de um modelo de perfeição e nossa idéia de modelo social de felicidade. Claro...quem sonha em ser infeliz?? Porem quando de forma prejudicial, essa idealização é formada por pensamentos com bases muitas vezes neuróticas, que seriam: adotar padrões existenciais super rígidos, por vezes impossível de ser atingido, e o orgulho (grande mal da humanidade) alimentado pelo sentimento, de onipotência, superioridade e invulnerabilidade.

Essa idealização ocasiona com freqüência, estados espirituais de tristeza, vazio, aborrecimento. Mas de onde vêm essas idealizações? Muitas são as respostas. Algumas pessoas se tornam obcecadas por suas realizações por sentirem uma forma de debilidade em outro setor de suas vidas.

Na maioria dos casos (prejudiciais), deriva da baixo-estima do individuo, geralmente ainda na infância, onde o indivíduo se sente diminuído, ou vem a pensar isso devido a tratamento dos que o cercam, fazendo-o pensar que não é bom o suficiente ou não é digno do sentimento de carinho e amor.

Esse fator ocasiona diversas situações para um indivíduo e uma delas seria essa idealização, onde ele cria padrões que considera adequado para “ser notado e amado”. Cruel ignorância! Mal percebe que se tornará vítima de si mesmo.

Pois com o tempo irá, aos poucos, aniquilando sua existência no falso pretexto de construir um futuro (muitas vezes o consegue), mas a duras perdas de se ver com toda uma conquista,todo um “império”, porem solitário. Ai então, percebe quão tolo e amedrontado foi perante a vida, de ter se escondido das oportunidades da qual seu coração muitas vezes era desejoso de obter.

E esse “esconderijo”  aniquila com o tempo o convívio social sadio e feliz pois as companhias se aproximam por conveniência e não por afinidade e impede muitas vezes o crescimento e desenvolvimento espiritual do individuo.

Para aniquilar a solidão, devemos entrar em contato com nossa essência. A renúncia deste “eu” idealizado faz com que o indivíduo entre em uma atmosfera de liberdade. Claro que não estou me referindo a viver a vida de qualquer jeito, pois todos temos que traçar planos, porem, de maneira saudável e não obsessiva e neurótica.

Apesar de em muitas vezes perceber com o tempo que estes comportamentos são prejudiciais, preferem se manter neles por criaram uma barreira defensiva, e o medo de voltarem a se sentir “diminuídos” ou de se deixarem “expostos” a sentimentos faz com que cada vez mais se cerquem dessas barreiras que terminarão por sufocá-los.

O amor e o respeito por nós mesmos criam uma atmosfera propicia para descobrirmos nossa verdadeira identidade, trazendo alegria de viver e permitindo assim o desenvolvimento espiritual.

Lembremo-nos de que a solidão aparece, quando negamos nossos sentimentos e ignoramos
nossas experiências interiores. Essa forma comportamental tende a fazer-nos ver as coisas do jeito como queremos ver, ou seja, como nos é conveniente, em vez de vê-las como realmente são. Assim é que distorcemos nossa realidade.

Não rejeitemos o que de fato sentimos. Isso não quer dizer viver com liberdade indiscriminada e sem controle, mas sim reconhecer o devido lugar que corresponda aos nossos sentimentos, sem ignorá-los, nem tampouco deixá-los ser donos de nossa vida.

Se devemos permanecer ou não ao lado de alguém, é decisão que se deve tomar com espontaneidade, harmonia e liberdade, sem mesclas de medo ou imposições.

Vamos parar por aqui, para termos um tempo para reflexão e assimilação desta parte. Até quinta ^-^

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Texto complementar sobre o vício

Olá Pessoal !

Para complementar o texto do vício, no qual falávamos da fraqueza dos viciados perante a vida, busquemos conforto nas sabias palavras do evangelho, onde Cristo nos fala [1]“Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria, mas ah!, poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem.

A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apóie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspires a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que um combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral.

O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: “Eu fui o mais forte”!

 Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzidos: Bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicado as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.”

Que possamos ser fortes perante a vida, pois a aflição pode ser alavanca de progresso. Saibamos usá-la para nos engrandecer e não como motivo para futuras e mais penosas aflições. E principalmente sejamos fortes por nós mesmos e por aqueles que nos cercam que em muitos momentos sofrem conosco mas se mantém firmes para nos auxiliar a ter fé e esperança! Que sejamos fortes por nós mesmos para nos orgulharmos de nossa caminhada terrestre e sairmos dela com dignidade e satisfação.Que possamos ser exemplos de luz, sozinhos somos apenas uma chama mas que possamos em conjunto ser como um sol que dissipa o nevoeiro que a noite deixou pra trás.

           
(1. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. Em “O evangelho segundo o espiritismo” cap. 5,I- Instruções dos espíritos, item 18.)

domingo, 24 de julho de 2011

O Vício


Olá Pessoal !

Hoje vou falar um pouco sobre o vício, problema que sempre afetou a humanidade e que nos dias de hoje esta cada vez mais presente na sociedade. Mas... o que significa vício? Segundo o dicionário significa mau hábito. Estaria isso correto? Em partes, pois o mau habito seria mais a conseqüência do vício.

Temos uma visão muito estreita em relação ao vício, sempre usamos a palavra vício quando vemos alguém que usa entorpecentes, que bebe ou fuma, temos também o costume de considerá-los vadios e delinqüentes, o que demonstra nosso costume de olhar as coisas externas com “maus olhos”.

Não estou tentando passar uma imagem que suas atitudes devem passar impunemente, pois toda atitude traz consigo uma conseqüência seja ela qual for, e sabemos que em muitos casos para sustentar os vícios os dependentes fazem muitas vezes escolhas e atitudes muito infelizes,mas existem formas diversas de vícios até mesmo pensamentos e atitudes podem ser viciosos.

Temos que ter em mente que os dependentes são irmãos carentes e sofridos que tem uma vida íntima muito infeliz e mal resolvida, o ambiente perturbado e em desalinho ajuda muito o desenvolvimento de um dependente, mas a fraqueza para ceder ao vício se encontra em cada um.

Mas de onde nasce essa fraqueza? Bem...temos em cada parte do mundo uma forma de cultura e uma crença, conhecimentos passados para os descendentes e para os que nos cercam numa troca incessante de conhecimentos, porem nem sempre os mesmo tem fundamento e se encontram corretos.

Infelizmente, muitas pessoas aceitam informações externas e as tomam como verdades absolutas porque tiveram como fonte, alguém por quem o ouvinte tem consideração ou por ser alguém conhecido.

Muitas vezes a transmissão de certos costumes é forçada,num circulo familiar muito tradicional, o que impede o indivíduo de desenvolver seu senso interior e “tomar as rédeas” de sua própria vida, seguindo suas escolhas e tendências, porem isso é apenas um agravante, não é em momento algum a raiz do problema e não isenta o dependente de sua própria responsabilidade pela sua atual situação.

Mas o que leva o dependente a fazer isso? Muitas são as respostas e possibilidades, mas podemos chegar sempre a uma resposta semelhante, que seria a fuga da realidade, eles possuem seus planos mentais tão perturbados e sofrem um enfraquecimento energético tão forte que preferem fugir e se esquecer da realidade.

Preferem usar o vício como uma barreira que barra a realidade e funciona como uma falsa proteção, pois eles constroem um mundo intimo com suas falsas explicações por não perceberem ou não aceitarem sua realidade.

A realidade para eles é tão destrutiva, que o mundo mental deles se torna caótico, consumindo-lhes as energias e fazendo com que vivam em constante “embriaguez da alma”, entre fluidos de abatimento, fadiga e tédio, que faz com que se tornem alienados e ociosos.

Na verdade eles não se tornam ociosos, pois a ociosidade acaba se tornando a “causa e efeito” dos vícios. Eles usam este fator para não “arregaçarem as mangas” e enfrentarem a parte que lhes cabe na vida. Eles negam seus medos, e tomam atitudes que dificultam seu fluxo existencial e diretamente na sua evolução espiritual.

O viciado na verdade é acomodado, pois tem medo da vida que ele julga ameaçadora, usa o vício e os hábitos destrutivos como uma forma inadequada de segurança e proteção, pois ele se enfraqueceu de tal forma perante a vida que se refugia na dependência de pessoas ou substâncias. E ai... ficou claro? Espero que sim!!  ^-^     

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Texto complementar sobre o Desapego

Todos temos lembranças, recordações, saudades que nos tocam fundo o coração, todo esse "arsenal" pode ser ou não uma forma de apego.  Algumas lembranças são tão fortemente marcadas em nossos corações que uma simples menção nos traz doces lembranças ou amargas tristezas.

Estas formas de recordação que devemos vigiar para termos uma “relação saudável” com nosso passado. O desapego não significa banir as lembranças, nem exige o esquecimento das mesmas, pois toda experiência, seja ela agradável ou desagradável nos traz oportunidades de aprendizado.

Muitas destas lembranças podem nos atormentas e a origem das lembranças são diversas, podem ser relacionadas a empregos e oportunidades perdidas no campo profissional, um cálido “amor de primavera” perdido ou um amor não correspondido, até mesmo aquele amor platônico que tanto sonhávamos em ter. Todas essas lembranças podem se tornar desagradáveis e trazer sofrimento aos nossos corações. 

Mas todas as “perdas” que podem ocorrer na vida humana, a que podemos categorizar como uma das experiências mais dolorosas é a do desencarne. O desencarne muitas vezes causa um trauma inicial muito grande pelo fato de o ente querido ser “arrancado de nós de uma forma rápida e muitas vezes brusca, até mesmo o “desencarne previsto” traz sofrimento.

Perante o desencarne nossos corações muitas vezes se sentem perdidos, vazios e entram em desespero pela tristeza e saudade que iremos sentir pelos nossos. Esses sentimentos que nascem em nossos corações se dão muitas vezes pelo impacto e nossa fragilidade ou pela nossa ignorância perante a vida espiritual.
O desencarne é apenas a extinção do corpo físico a alma, a essência retorna para o plano espiritual, verdadeira “pátria” de todos nós, a vida terrena é uma oportunidade que nos é dada para evoluirmos, podemos considerar a vida terrena como uma escola.

Existe uma forma lúdica de se ver o desencarne que seria como uma viagem, como se todos nós estivéssemos em uma ilha (vida terrena) onde existe doença, fome, guerra e todos os suplícios que o homem muitas vezes causa a si mesmo, e alguns recebessem uma passagem para retornarem ao continente (vida espiritual), onde seriam livres de todas as aflições e martírios do corpo. Os que receberam a passagem se dirigem ao barco obviamente e seguem rumo, se ficássemos observando o barco logo ele desapareceria no horizonte, porem o fato de ele desaparecer não significa que não esteja lá certo?

O desencarne seria como essa viagem de barco, onde nossos entes queridos apenas desaparecem no nosso contato sensorial físico, mas podemos “contatá-los” com o contato da prece cálida, esperançosa e cheia de recordações felizes que enchem o coração de júbilo pela alegria de terem sido vividas, pois a mesma é levada e sentida por eles que também sentem a mesma saudade e sabem que um dia haverá um reencontro, porem também sentem e sofrem quando a lembrança é tortuosa e preenchida de sofrimento e desespero, o que não é raro especialmente no inicio do período de separação.

Encontramos luz nas amorosas e esclarecedoras palavras de [1]Sansão: “Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.
            Criaturas humanas, são nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam umas considerações secundárias, que relegaríeis ao último plano.
            Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.
            É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças querem falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?
            Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.
            Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor.”

Que possamos refletir nestas sábias palavras e expandir nossa consciência em relação ao desencarne. Que possam elas ser um bálsamo para os corações sofredores e que os mesmo se tornem esperançosos. E assim se encerra o tema Desapego, caso exista alguma dúvida a ser sanada basta avisarem que farei o que estiver ao alcance do meu entendimento para esclarecer o assunto.  ^-^

(1. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. Em “O evangelho segundo o espiritismo” cap. 5, item 21.)

domingo, 17 de julho de 2011

O Desapego

Olá pessoal!

Nesta semana falaremos sobre o desapego. Mas o que seria o desapego? Segundo o dicionário o desapego é desinteresse, desamor, desafeição, e falta de apego. Isso esta correto?

Em partes sim, o desapego na realidade seria apenas a falta do apego, pois o desapego não significa em momento algum o desinteresse, desamor ou a desafeição (que são apenas “sinônimos”), pois o desapego bem compreendido entende a efemeridade das coisas que passam por nossas vidas, mas ao mesmo tempo em que entende isso não deixa ou diminui seu amor ou sua afeição, muito menos age com indiferença.  

As pessoas apegadas se tornam pessoas inquietas e sofredoras, pois se perdem no passado (longo ou recente) e o traz para o presente, na tentativa de reviver suas lembranças, sendo assim o apego seria a memória da “dor” ou do “prazer” passado, atrás de cada dor ou pesar atual existe um apego.

A pessoa apegada se prende a cristalizações mentais e acaba se tornando prisioneira de suas próprias lembranças, trazendo para seu mundo interior a inquietude e o sofrer. Como diz um pensamento budista: “Quando o vento chega e oscila o bambu, o bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se esvazia quando os acontecimentos terminam”. Encontramos neste pensamento um grande aprendizado que devemos carregar sempre conosco, que seria aprender a apreciar os belos momentos, as alegrias, mas sabendo voltar a nossa própria quietude interior quando os mesmos terminam. 

Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos, sofremos ao nos separarmos, um exemplo da manifestação do apego neste caso seria o ciúme (medo de perder), todo aquele que sofre com os ciúmes automaticamente sofre um abalo em seu mundo interior, pois sempre se encontra ulcerado, por pensamentos infelizes e desgostosos, abrindo campo para diversas formas de ataques espirituais de baixa vibração, pois os irmãos que ainda se encontram em patamares inferiores de vibração, que conhecem nossas fraquezas, trabalham sobre elas para nos tirar o equilíbrio perfeito e a vontade de nos mantermos firmes na Luz divina. 

A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas são incapazes de perceber a sua essência. Uma mente saudável, equilibrada e desapegada se encontra em paz, pois não sofre no momento da separação, ou até mesmo antecipadamente como ocorre com a mente apegada. Pois entende que apesar da separação ocorrer, a essência (sentimento), não se desfaz muito menos se enfraquece apenas se transforma e toma novas feições. A mente apegada alem de se tornar inquieta e sofredora, se torna bloqueada, pois entra em um ciclo de pensamentos que acabam por prende-la e impede-a de ver ao seu derredor e de assimilar outras informações, impedindo até mesmo sua clareza mental, fazendo com que ela se torne  de certa forma sua própria prisioneira. 

Existe por outro lado o desapego “defensivo” que seria se o indivíduo que ao ver que uma situação onde venha a se importar com alguém, ou determinada coisa, se “fecha”, com o medo de amar, de se sentirem presas a um sentimento ou idéia e se tornarem “dependentes” desse sentimento nascente. Esses indivíduos contem seus sentimentos e se isola da vida social, com indiferença e desprezo do seu mundo sensível. 
Pessoas que vivem dessa maneira acham-se insensíveis e auto-suficientes, mas na verdade eles se utilizam da desistência da expressão, do anseio, da vontade e de certa forma restringem e mutilam suas vidas ativas.

O desapego ao contrario nos traz a paz interior, um júbilo pelos acontecimentos, sejam eles quais forem, pelo simples fato de terem ocorrido e terem feito parte de nossa experiência intima e pessoal e nos enriquecido como indivíduos. O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em nós mesmos, e faz com que vivamos sem medo, nos levando ao crescimento íntimo e a uma expansão mais ampla da consciência. E ai... ficou claro??  Espero que sim! ^-^



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O que é o que? O.o’

Antes de dar continuidade e podermos estudar de forma clara os sentimentos, primeiros precisamos deixar claro o que é o que. O que é uma sensação? Uma emoção e um sentimento o que seriam? Todas estas dúvidas devem desaparecer antes que possamos continuar. Vamos então ao que interessa?

O que é uma sensação?

Sensações são as impressões que temos do mundo externo, que podem se manifestar das mais diversas formas desde impressões visuais a táteis (luz, toque,  aromas, etc.), que são transmitidas aos órgãos sensoriais e levadas ao cérebro pelo sistema nervoso. Passamos diariamente por uma infinidade de estímulos (sensações), sendo interpretados somente os necessários.  Os estímulos (sensações) recebidos são iguais para todos, o que muda é a percepção individual e o seu nível de consciência e reflexão.  Embora por vezes se considere a sensação como o ponto de partida para a construção da experiência e do saber, ela não é, no entanto, um dado imediato da consciência: a sensação só se apresenta ao nosso espírito sob uma forma mais complexa, a forma de percepção.

O que é uma emoção?

Emoção é a percepção inicial que uma sensação causa, sendo assim as emoções são a reação inicial a determinada ocorrência, ter emoções é algo instintivo e básico do ser humano que não consegue ficar ímpar do que lhe cerca. Na maioria dos casos as emoções são seguidas de respostas internas (alegria, tristeza, raiva, euforia etc.) e/ou externas (choro, sorriso, face triste, face surpresa, etc.), mas ainda assim se pode ter a emoção sem o correspondente comportamento, então nós podemos considerar que a emoção não é apenas o seu comportamento e muito menos que o comportamento é a parte essencial da emoção. As emoções constituem parte do nosso desenvolvimento geral, ajudando-nos a ter experiências internas que nos moldam como indivíduos. Durante nossa existência temos diversas experiências, algumas felizes outras nem tanto que em muitos momentos apesar de não nos recordarmos, elas ficam guardadas em nosso inconsciente e afloram de diversas maneiras (sonho, uma cena parecida, etc.), algumas emoções nos  marcam tão fortemente, que sempre ouvimos em diversas situações pessoas dizendo: “ Nossa esse perfume me faz lembrar minha irmã que mora longe!”. Junto com estas situações, além da lembrança, o locutor desperta em seu íntimo uma emoção (saudade, tristeza, euforia etc.). 

E o que é um sentimento?

Já o sentimento, seria uma emoção sentida e “pensada”, seria uma emoção tomada em longo prazo que sofre ação da nossa evolução e do nosso conhecimento geral. O ser humano quanto menos evoluído se utiliza dos instintos, e quanto mais evoluído mais se tem o livre arbítrio e o entendimento de seus próprios sentimentos. O sentimento aos poucos desabrocha no ser humano conforme o mesmo se torna sublime, os sentimentos se bem entendidos formam a capacidade interior com o qual nascemos para chegar ao que pensamos ser bom/mal e certo/errado. Sentimentos produzem emoções no corpo que, estas sim serão sentidas. Exemplo disso seria uma pessoa que ama outra, por haver tomado essa decisão de amar essa outra, mesmo depois de sofrer algum mal cometido pela pessoa amada, pode continuar amando-a, muitas vezes sem entender como pode amar ao mesmo tempo que sente a emoção característica do momento da ira, ou da dor da traição, ou alguma outra emoção que, racionalmente, poderia conduzir a pessoa que ama a querer deixar de amar. Os sentimentos assim seriam ações decorrentes de decisões tomadas por uma pessoa. Podemos citar em nível de curiosidade a empatia, que seria a capacidade de obter e captar a informação sobre os sentimentos e emoções alheia.

Um problema que pode confundir o entendimento nesta concepção do que é sentimento, é o fato de que, geralmente, os nomes usados pra se referir a um sentimento, também são os mesmos usados pra se referir às emoções mais características destes mesmos sentimentos.

Resumindo a sensação seria a parte inicial e física, a emoção o “processo”, o momento em que percebemos a sensação e temos a interpretação interna e podemos ou não expressar externamente, e por fim o sentimento que seria o desfecho, a emoção pensada e refletida exteriorizando o nível evolutivo do ser. Então pessoal, ficou claro? Espero que sim ^-^.

domingo, 10 de julho de 2011

Olá Pessoal !

                Sejam bem vindos ao blog Sutil Sentimento, no qual será abordado o estudo dos sentimentos sob a luz da doutrina espírita. O blog terá a função de auxiliar todo aquele que quiser entender melhor as fases da vida e os sentimentos que os acompanham, pois em muitos momentos de nossa vida, em suas passagens e transições nos sentimos confusos perante nós mesmos e perdidos num emaranhado de sensações, emoções e sentimentos que nos prendem muitas vezes em ciclos viciosos de toda sorte.

Tudo que será tratado aqui tem como função dar uma luz a todo aquele que se sente sem rumo, sem ter a intenção ou pretensão de pôr o que aqui será colocado como verdade. Todo aquele que tiver duvida ou não se sentir de acordo com que foi apresentado e tiver alguma critica construtiva ou algum adendo a ser feito, sinta-se a vontade. 

A criação deste blog teve inicio quando percebi a necessidade do ser humano em compreender o que se passa dentro de si mesmo e de modificar seus padrões de pensamento, pois geralmente nos prendemos a ciclos autodestrutivos quando passamos por momentos dolorosos, os quais geralmente nos colocam em um estado de cegueira momentânea que nos impede de ver a situação com clareza. 

O Blog terá atualizações semanais, todos os domingos. Tratando a cada semana de um sentimento ou emoção diferente, porem caso exista a necessidade de maiores esclarecimentos ou caso exista um novo subsidio em determinado tema será feita uma atualização durante a semana (Quinta-feira). 

Gostaria da colaboração de todos os que estejam dispostos a ajudar. Afinal esta é a função principal deste blog, como diz [1]Bernardino, Espírito protetor, em Bordéus, 1863, que já nos recomendava: “Não digais, pois, quando virdes atingido um dos vossos irmãos: “É a justiça de Deus, importa que siga seu curso.” Dizei antes: “Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs ao alcance para suavizar o sofrimento do meu irmão. (...) Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer cesse esse sofrimento; se não deu a mim, também como prova, como expiação talvez, deter o mal e substituí-lo pela paz. ”(...) Resumindo: todos estais na Terra para expiar; mas, todos, sem exceção, deveis esforçar-vos por abrandar a expiação dos vossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade”, façamos então nossa parte para trazer um balsamo a todos que necessitam, até que possamos entender o mais sutil sentimento.
Obrigado.
 (1. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. Em “O evangelho segundo o espiritismo” cap. 5, item 27.)