sexta-feira, 4 de maio de 2018

Amor e o vínculo familiar


Olá pessoal!

Hoje vamos falar sobre o amor familiar. Como é de costume, acho interessante separar e definir cada um destes conceitos.

O que é o amor? A resposta para esta pergunta vem sendo discutida desde muito tempo. Já na Grécia antiga os pensadores classificaram 7 tipos de amor, sendo eles o amor Philautia (amor por si mesmo), Pragma (“amor voltado para o compromisso” ), Ludus (“amor descontraído”), Eros (paixão e desejo), Philia (amor “filial”, de amigo), Storge (amor de pais para com os filhos) e por fim o mais belo e puro, o Ágape (amor universal).  

Dentro de um núcleo familiar, como veremos adiante, podem ocorrer manifestações de todas estas matizes, com maior ou menor intensidade, ou até mesmo não haver sentimento de amor percebido, veremos também este desdobramento a seguir. Mas antes vamos definir a família.

O que é a família? Existem muitos conceitos, desde os mais tradicionais aos mais abertos e, literalmente, comunitários (família comunitária). O conceito mais geral é que a família é um conjunto de pessoas que estão unidos por laços consanguíneos ou por afinidade, não vou aprofundar nestes conceitos vistos que eles, por si só, são temas para discussão.

Agora que temos o conceitos básicos de amor e de família, podemos criar um conceito ideal e utópico da função de uma família. Idealmente, a família, é um grupo de pessoas que têm por objetivo a proteção, confiança, segurança, afeto e consideração mútua. Nessa família ideal há um diálogo sincero e maduro, buscando o crescimento individual, que deriva do convívio social mais íntimo. Ela não é isenta de conflitos, mas eles são vistos como situações reais e recebidas em um ambiente propício ao diálogo acolhedor.

Na visão espírita, de forma resumida, a família é formada por espíritos que podem já ter vivido no passado, em outras vidas, de forma harmônica ou não, podendo até serem completos estranhos, vinculados por necessidades espirituais afins. Por este motivo, na Doutrina Espírita, se explicam as afinidades e inimizades que brotam no núcleo familiar, recebendo é claro influências diversas de desenvolvimento social, individual, etc.

Nessa perspectiva (Espírita) a vida terrena tem função educacional e evolutiva, assim a família é o grupo apropriado e mais necessário de atenção, referente ao nosso desenvolvimento pessoal. Neste núcleo estão os Espíritos que mais temos necessidade de estarmos próximos pelas necessidades espirituais, seja por pendências passadas, para dar apoio às más tendências (função instrutiva), reafirmar laços de afeto problemáticos ou até mesmo aprender a amar um velho desafeto, que se vinculou como um irmão ou filho, dentre outras muitas possibilidades.

Quem nunca viu aquele pai que tem um vínculo indescritível com sua filha? Ou aquele filho que tem a maior doçura do mundo para com sua mãe? Diversos podem ser os arranjos que poderiam se formar nessa trama de amor/desafeto.

Estes diversos quadros podem aproximar ou distanciar, dependendo de como AMBAS as partes lidam com ela, recebendo influência direta de seu aprimoramento moral, intelectual, emocional e, consequentemente, espiritual.

Nesses casos vemos pessoas unidas por sentimentos gratuitos, que nascem muitas vezes nas dificuldades. Vemos também, muito comumente, no mesmo grupo uma figura que contrasta, pelo conflito e rebeldia. A mesma criação... mesmas oportunidades... diversos motivos para um quadro harmônico semelhante, mas que espanta pelo contraste. Sujeitos que semeiam o caos e a discórdia dentro do próprio núcleo, com intensos sentimentos de egoísmo, possessividade e carência.

O “filho problema” não deve ser rechaçado, deve sim ser ouvido e entendido. A pequenez existencial se expressa de muitas formas, uma delas é a revolta e a destruição. Em seu turbilhão interno e sem ter um ponto de apoio, descontrola-se e acaba por desorganizar o ambiente que se encontra, para tornar este ambiente um espelho de sua intimidade. Esse comportamento é claramente percebido em crianças na 1ª infância (até os 7 anos), persistindo até o final da vida se não for reformada essa característica pessoal.

A infância é o momento apropriado para “guiar o voo”, demonstrando que há a um ambiente acolhedor e que irá auxiliar na resolução do problema. Nas etapas seguintes do desenvolvimento, com a personalidade se constituindo cada vez mais sólida, se torna mais trabalhosa a reforma íntima, porem não impossível.

Para encerrar esta primeira parte eu gostaria de fazer uma proposta para reflexão. Todos nós temos o convívio familiar e um convívio social externo, com amigos e demais membros da sociedade. Certo? Por que tratamos os desconhecidos com mais educação do que tratamos os mais íntimos, especialmente o núcleo familiar?

No texto complementar sobre o amor familiar, próxima postagem, vou discutir o acolhimento em relação as situações problema associando a visão espírita à uma escola de pensamento da psicologia,essa reflexão e seus desdobramentos.

Eu gostaria de fazer uma nota pessoal neste momento. Imagino que os leitores que possuem uma leitura técnica de escolas de pensamento da psicologia devem estar trazendo diversos questionamentos sobre o que escrevi. Entendo que há o behaviorismo, a psicologia cognitiva, existencialista, a psicanálise, entre outras, que tratam sobre o desenvolvimento do sujeito e seu vínculo com a família. Porém o propósito deste blog é fazer as análises sob a visão espírita, sempre que possível associa-las ao conceitos técnicos externos à Doutrina no momento adequado para a discussão. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário