Olá pessoal!
Hoje vamos falar sobre o amor familiar. Como é de costume,
acho interessante separar e definir cada um destes conceitos.
O que é o amor? A resposta para esta pergunta vem sendo
discutida desde muito tempo. Já na Grécia antiga os pensadores classificaram 7
tipos de amor, sendo eles o amor Philautia
(amor por si mesmo), Pragma (“amor
voltado para o compromisso” ), Ludus
(“amor descontraído”), Eros (paixão e
desejo), Philia (amor “filial”, de
amigo), Storge (amor de pais para com
os filhos) e por fim o mais belo e puro, o Ágape
(amor universal).
Dentro de um núcleo
familiar, como veremos adiante, podem ocorrer manifestações de todas estas
matizes, com maior ou menor intensidade, ou até mesmo não haver sentimento de
amor percebido, veremos também este desdobramento a seguir. Mas antes vamos
definir a família.
O que é a família? Existem muitos conceitos, desde os mais
tradicionais aos mais abertos e, literalmente, comunitários (família
comunitária). O conceito mais geral é que a família é um conjunto de pessoas
que estão unidos por laços consanguíneos ou por afinidade, não vou aprofundar
nestes conceitos vistos que eles, por si só, são temas para discussão.
Agora que temos o conceitos básicos de amor e de família,
podemos criar um conceito ideal e utópico da função de uma família. Idealmente,
a família, é um grupo de pessoas que têm por objetivo a proteção, confiança,
segurança, afeto e consideração mútua. Nessa família ideal há um diálogo
sincero e maduro, buscando o crescimento individual, que deriva do convívio
social mais íntimo. Ela não é isenta de conflitos, mas eles são vistos como
situações reais e recebidas em um ambiente propício ao diálogo acolhedor.
Na visão espírita, de forma resumida, a família é formada
por espíritos que podem já ter vivido no passado, em outras vidas, de forma
harmônica ou não, podendo até serem completos estranhos, vinculados por
necessidades espirituais afins. Por este motivo, na Doutrina Espírita, se
explicam as afinidades e inimizades que brotam no núcleo familiar, recebendo é
claro influências diversas de desenvolvimento social, individual, etc.
Nessa perspectiva (Espírita) a vida terrena tem função
educacional e evolutiva, assim a família é o grupo apropriado e mais necessário
de atenção, referente ao nosso desenvolvimento pessoal. Neste núcleo estão os
Espíritos que mais temos necessidade de estarmos próximos pelas necessidades
espirituais, seja por pendências passadas, para dar apoio às más tendências
(função instrutiva), reafirmar laços de afeto problemáticos ou até mesmo
aprender a amar um velho desafeto, que se vinculou como um irmão ou filho,
dentre outras muitas possibilidades.
Quem nunca viu aquele pai que tem um vínculo indescritível
com sua filha? Ou aquele filho que tem a maior doçura do mundo para com sua
mãe? Diversos podem ser os arranjos que poderiam se formar nessa trama de amor/desafeto.
Estes diversos quadros podem aproximar ou distanciar,
dependendo de como AMBAS as partes lidam com ela, recebendo influência direta
de seu aprimoramento moral, intelectual, emocional e, consequentemente,
espiritual.
Nesses casos vemos pessoas unidas por sentimentos gratuitos,
que nascem muitas vezes nas dificuldades. Vemos também, muito comumente, no
mesmo grupo uma figura que contrasta, pelo conflito e rebeldia. A mesma criação...
mesmas oportunidades... diversos motivos para um quadro harmônico semelhante,
mas que espanta pelo contraste. Sujeitos que semeiam o caos e a discórdia
dentro do próprio núcleo, com intensos sentimentos de egoísmo, possessividade e
carência.
O “filho problema” não deve ser rechaçado, deve sim ser
ouvido e entendido. A pequenez existencial se expressa de muitas formas, uma
delas é a revolta e a destruição. Em seu turbilhão interno e sem ter um ponto
de apoio, descontrola-se e acaba por desorganizar o ambiente que se encontra,
para tornar este ambiente um espelho de sua intimidade. Esse comportamento é
claramente percebido em crianças na 1ª infância (até os 7 anos), persistindo
até o final da vida se não for reformada essa característica pessoal.
A infância é o momento apropriado para “guiar o voo”,
demonstrando que há a um ambiente acolhedor e que irá auxiliar na resolução do
problema. Nas etapas seguintes do desenvolvimento, com a personalidade se constituindo
cada vez mais sólida, se torna mais trabalhosa a reforma íntima, porem não
impossível.
Para encerrar esta primeira parte eu gostaria de fazer uma
proposta para reflexão. Todos nós temos o convívio familiar e um convívio
social externo, com amigos e demais membros da sociedade. Certo? Por que
tratamos os desconhecidos com mais educação do que tratamos os mais íntimos,
especialmente o núcleo familiar?
No texto complementar sobre o amor familiar, próxima
postagem, vou discutir o acolhimento em relação as situações problema
associando a visão espírita à uma escola de pensamento da psicologia,essa
reflexão e seus desdobramentos.
Eu gostaria de fazer uma nota pessoal neste momento. Imagino
que os leitores que possuem uma leitura técnica de escolas de pensamento da psicologia
devem estar trazendo diversos questionamentos sobre o que escrevi. Entendo que
há o behaviorismo, a psicologia cognitiva, existencialista, a psicanálise,
entre outras, que tratam sobre o desenvolvimento do sujeito e seu vínculo com a
família. Porém o propósito deste blog é fazer as análises sob a visão espírita,
sempre que possível associa-las ao conceitos técnicos externos à Doutrina no momento adequado para a discussão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário