sábado, 26 de maio de 2018

Texto complementar sobre o Amor e o vínculo Familiar


Olá Pessoal!

Hoje iremos dar continuidade ao tema de amor/relação familiar. Primeiro vamos retomar a reflexão proposta! O que nos leva a tratar pessoas desconhecidas melhor do que as pessoas conhecidas?

Quando estamos em um ambiente social, repleto de desconhecidos, temos as chamadas leis sociais. Elas incluem diversos perfis de comportamento, regras e condutas estipuladas. E nesse contexto, a obediência de cada indivíduo varia conforme sua personalidade e diversos fatores sociais, porém, temos a tendência a sermos muito mais dóceis em público, especialmente com desconhecidos.

Nunca se perguntaram o motivo pelo qual, em um dia de cansaço e irritação, ao sermos abordados por um desconhecido e sermos questionados sobre algo o tratamos bem? E se, em seguida, por motivos semelhantes, somos rudes com nosso cônjuge (filho, irmão, etc.)?

O que faz o sujeito que você não conhece ser merecedor da ternura na fala e não o indivíduo que você diz amar? Talvez porque na intimidade do vínculo você se permita ser quem você é? Isso é bom, em partes... Bom porque te dá espaço para vivenciar o seu verdadeiro eu, mas até que ponto esse “Eu” não precisa de uma reforma íntima?

A intimidade e transparência no sentimento não dá a ninguém abertura para a aspereza, nem pode ser usado como desculpa para agressões de qualquer natureza. Ela permite encontrar no outro um espaço propício para diálogo e recuperação do bem-estar. A intimidade permite abrir o que sente, sem invadir ou violar os limites do outro, muito menos faz do outro um “saco de pancadas”.

Com isso em mente, devemos analisar até que ponto o verniz social não é uma máscara, não só para sentimentos abafados, mas um chamado para uma personalidade imatura. Até que ponto não estamos escondendo a necessidade de crescimento pessoal?

Quando falamos na família, vemos muitas situações como as citadas acima. Pessoas que no seio familiar possuem comportamentos tirânicos, dominadores e agressivos. Em contrapartida, são socialmente consideradas presenças extremamente afáveis e cheias de ternura.

Ao entrarmos em contato com nossa intimidade podemos ver, se abertos para a experiência, a verdadeira razão para nossos atos. Se nos despirmos de nossa vaidade e egoísmo iremos perceber que muitas de nossas ações são movidas por motivos diferentes do que imaginávamos, ou afirmávamos. Nestes instantes nos deparamos com a necessidade da reforma íntima, assunto que já possui um post específico no blog e pode ser acessado clicando aqui.

Ao adentrarmos o campo da reforma íntima iremos começar um processo de renovação. Neste processo iremos permitir a nós sermos quem somos e aos outros de realmente nos conhecerem. Como disse, sem fazer ninguém de alvo para ataques ou projeções! A pessoa quando está disposta ao crescimento irá falar, mas também irá ouvir. Irá buscar entender o outro, seus motivos e intenções, da mesma forma que irá expressar os seus, criando assim um ambiente propício para o entendimento (de ambas as partes).

Fazer isso com a intenção de expressão e transparência, buscando um espaço propício ao acolhimento e amparo, jamais com a intenção de fazer com que o outro aceite, ou acate os desejos e demandas. Quando você busca entender (não dominar) o outro, os padrões de julgamento e as suposições se enfraquecem e a harmonia começa a se instalar, as conversas se tornam mais calmas e a relação se torna mais equilibrada.

“Ah, mas eu tentei e o outro não coopera! ”. Isso também é um sinal de desordem no outro. Cada um tem um tempo... não esqueça que tudo começa quando nos dispomos a olhar para dentro de nós mesmos e entendermos/aceitarmos que temos um lado negativo abafado, que muitas vezes é a fonte de muitos motivos pelos qual lamentamos. E isso dói! Dói saber que somos responsáveis pelo nosso sofrimento e, às vezes, parar para juntar as forças para mudar demora.

Por isso, deixe claro que há possibilidade de diálogo e espaço para a compreensão e amparo, não há necessidade de forçar a situação. Você expôs ao que pensa inicialmente, dê tempo para o outro digerir a situação e comece a transformação nessa relação com passos lentos, para que a experiência possa realmente ser vivida e transformadora.

Com o tempo e persistência, a harmonia se instala. Pode sim haver um sofrimento na transformação, mas a borboleta também luta para sair do casulo, não é mesmo? Perseverança na intenção de buscar a concórdia dentro do lar é essencial! Afinal de contas eles são (no contexto espírita) nossos vínculos mais necessários de atenção, como foi mencionado no post sobre o livro “Nossos filhos são Espíritos”. (Quem quiser se aprofundar nesse contexto, já tem post sobre isso - Clique aqui)

Aplique isso no contexto familiar, no trabalho, com suas amizades ou em relação a você mesmo (mais importante) ... tenha paciência e abertura para esta experiência de se tornar transparente. Busque falar, mas também ouvir. Trabalhe a capacidade de entender o outro, como insiste no entendimento de si próprio. Essa empatia é uma habilidade que exige constante trabalho ser desenvolvida, mas que trará muitas recompensas.
 
Espero que vocês possam desfrutar dessas reflexões e transformar o cotidiano familiar de vocês, primeiro melhorando a relação de vocês consigo próprios e depois com seus cônjuges, filhos e pares. Quem quiser compartilhar nos comentários as suas experiências, fique à vontade! A troca de experiências é sempre um incentivo para os outros e uma forma de reforçarmos para nós mesmos os nossos esforços!
Até a próxima!

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