Olá Pessoal!
Hoje iremos dar continuidade ao tema de amor/relação
familiar. Primeiro vamos retomar a reflexão proposta! O que nos leva a tratar
pessoas desconhecidas melhor do que as pessoas conhecidas?
Quando estamos em um ambiente social, repleto de
desconhecidos, temos as chamadas leis sociais. Elas incluem diversos perfis de
comportamento, regras e condutas estipuladas. E nesse contexto, a obediência de
cada indivíduo varia conforme sua personalidade e diversos fatores sociais, porém,
temos a tendência a sermos muito mais dóceis em público, especialmente com
desconhecidos.
Nunca se perguntaram o motivo pelo qual, em um dia de
cansaço e irritação, ao sermos abordados por um desconhecido e sermos
questionados sobre algo o tratamos bem? E se, em seguida, por motivos
semelhantes, somos rudes com nosso cônjuge (filho, irmão, etc.)?
O que faz o sujeito que você não conhece ser merecedor da
ternura na fala e não o indivíduo que você diz amar? Talvez porque na
intimidade do vínculo você se permita ser quem você é? Isso é bom, em partes...
Bom porque te dá espaço para vivenciar o seu verdadeiro eu, mas até que ponto
esse “Eu” não precisa de uma reforma íntima?
A intimidade e transparência no sentimento não dá a ninguém
abertura para a aspereza, nem pode ser usado como desculpa para agressões de
qualquer natureza. Ela permite encontrar no outro um espaço propício para
diálogo e recuperação do bem-estar. A intimidade permite abrir o que sente, sem
invadir ou violar os limites do outro, muito menos faz do outro um “saco de
pancadas”.
Com isso em mente, devemos analisar até que ponto o verniz
social não é uma máscara, não só para sentimentos abafados, mas um chamado para
uma personalidade imatura. Até que ponto não estamos escondendo a necessidade
de crescimento pessoal?
Quando falamos na família, vemos muitas situações como as citadas
acima. Pessoas que no seio familiar possuem comportamentos tirânicos,
dominadores e agressivos. Em contrapartida, são socialmente consideradas
presenças extremamente afáveis e cheias de ternura.
Ao entrarmos em contato com nossa intimidade podemos ver, se
abertos para a experiência, a verdadeira razão para nossos atos. Se nos
despirmos de nossa vaidade e egoísmo iremos perceber que muitas de nossas ações
são movidas por motivos diferentes do que imaginávamos, ou afirmávamos. Nestes
instantes nos deparamos com a necessidade da reforma íntima, assunto que já
possui um post específico no blog e pode ser acessado clicando aqui.
Ao adentrarmos o campo da reforma íntima iremos começar um
processo de renovação. Neste processo iremos permitir a nós sermos quem somos e
aos outros de realmente nos conhecerem. Como disse, sem fazer ninguém de alvo
para ataques ou projeções! A pessoa quando está disposta ao crescimento irá
falar, mas também irá ouvir. Irá buscar entender o outro, seus motivos e
intenções, da mesma forma que irá expressar os seus, criando assim um ambiente
propício para o entendimento (de ambas as partes).
Fazer isso com a intenção de expressão e transparência,
buscando um espaço propício ao acolhimento e amparo, jamais com a intenção de
fazer com que o outro aceite, ou acate os desejos e demandas. Quando você busca
entender (não dominar) o outro, os padrões de julgamento e as suposições se
enfraquecem e a harmonia começa a se instalar, as conversas se tornam mais
calmas e a relação se torna mais equilibrada.
“Ah, mas eu tentei e o outro não coopera! ”. Isso também é
um sinal de desordem no outro. Cada um tem um tempo... não esqueça que tudo
começa quando nos dispomos a olhar para dentro de nós mesmos e
entendermos/aceitarmos que temos um lado negativo abafado, que muitas vezes é a
fonte de muitos motivos pelos qual lamentamos. E isso dói! Dói saber que somos
responsáveis pelo nosso sofrimento e, às vezes, parar para juntar as forças para
mudar demora.
Por isso, deixe claro que há possibilidade de diálogo e
espaço para a compreensão e amparo, não há necessidade de forçar a situação. Você
expôs ao que pensa inicialmente, dê tempo para o outro digerir a situação e
comece a transformação nessa relação com passos lentos, para que a experiência
possa realmente ser vivida e transformadora.
Com o tempo e persistência, a harmonia se instala. Pode sim
haver um sofrimento na transformação, mas a borboleta também luta para sair do
casulo, não é mesmo? Perseverança na intenção de buscar a concórdia dentro do
lar é essencial! Afinal de contas eles são (no contexto espírita) nossos
vínculos mais necessários de atenção, como foi mencionado no post sobre o livro
“Nossos filhos são Espíritos”. (Quem quiser se aprofundar nesse contexto, já tem
post sobre isso - Clique aqui)
Aplique isso no contexto familiar, no trabalho, com suas
amizades ou em relação a você mesmo (mais importante) ... tenha paciência e abertura
para esta experiência de se tornar transparente. Busque falar, mas também
ouvir. Trabalhe a capacidade de entender o outro, como insiste no entendimento
de si próprio. Essa empatia é uma habilidade que exige constante trabalho ser
desenvolvida, mas que trará muitas recompensas.
Espero que vocês possam desfrutar dessas reflexões e
transformar o cotidiano familiar de vocês, primeiro melhorando a relação de
vocês consigo próprios e depois com seus cônjuges, filhos e pares. Quem quiser
compartilhar nos comentários as suas experiências, fique à vontade! A troca de
experiências é sempre um incentivo para os outros e uma forma de reforçarmos
para nós mesmos os nossos esforços!
Até a próxima!
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