domingo, 25 de setembro de 2011

Texto Complementar do Perdão

            Há na prática do perdão, e na prática do bem, em geral, além de um efeito moral, um efeito também material. A morte, como se sabe, não nos livra dos nossos inimigos. Os Espíritos vingativos perseguem sempre com o seu ódio, além da sepultura, aqueles que ainda são objeto do seu rancor. Daí ser falso, quando aplicado ao homem, o provérbio: “Morto o cão, acaba a raiva”. 


O Espírito mau espera que aquele a quem queira mal esteja encerrado em seu corpo, e assim menos livre, para mais facilmente o atormentar, atingindo-o nos seus interesses ou nas suas mais caras afeições. 


É necessário ver nesse fato a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo daqueles que apresentam certa gravidade, como a subjugação e a possessão. O obsedado e o possesso são, pois, quase sempre, vítimas de uma vingança anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta. Deus permite a situação atual, para os punir do mal que fizeram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, deixando de perdoar.


Importa, pois,com vistas à tranqüilidade futura, reparar o mais cedo possível os males que se tenham praticado em relação ao próximo, e perdoar aos inimigos, para assim se extinguirem, antes da morte, todos os motivos de desavença, toda causa profunda de animosidade posterior. 


Dessa maneira se pode fazer, de um inimigo encarnado neste mundo, um amigo no outro, ou pelo menos ficar com a boa causa, e Deus não deixa ao sabor da vingança aquele que soube perdoar. Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não quer apenas evitar as discórdias na vida presente, mas também evitar que elas se perpetuem nas existências futuras. Não sairás de lá, disse ele, enquanto não pagares o último ceitil, ou seja, até que a justiça divina não esteja completamente satisfeita.

 A misericórdia é o complemento da mansuetude, pois os que não são misericordiosos também não são mansos e pacíficos. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam uma alma sem elevação e sem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio das almas elevadas, que pairam acima do mal que lhes quiseram fazer. Uma está sempre inquieta, é de uma sensibilidade sombria e amargurada. A outra é calma, cheia de mansuetude e caridade.

Infeliz daquele que diz: Eu jamais perdoarei! Porque, se não for condenado pelos homens, o será certamente por Deus. Com que direito pedirá perdão de suas próprias faltas, se ele mesmo não perdoa aos outros? Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que se deve perdoar ao irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete.

Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar. Uma é grande nobre, verdadeiramente generosa, sem segunda intenção, tratando com delicadeza o amor próprio e a suscetibilidade do adversário, mesmo quando a culpa foi inteiramente dele. A outra é quando o ofendido, ou aquele que assim se julga, impõe condições humilhantes ao adversário, fazendo-o sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar. Se estender a mão, não é por benevolência, mas por ostentação, a fim de poder dizer a todos: Vede quanto sou generoso!

Nessas circunstâncias, é impossível que a reconciliação seja sincera, de uma e de outra parte. Não, isso não é generosidade, mas apenas uma maneira de satisfazer o orgulho. Em todas as contendas, aquele que se mostra mais conciliador, que revela mais desinteresse próprio, mais caridade e verdadeira grandeza de alma, conquistará sempre a simpatia das pessoas imparciais.


"Se vosso irmão pecar contra ti, vai, e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás a teu irmão. Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. (Mateus, XVIII: 15, 21e 22). "

“Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia. (Mateus, V: 7)”.

“ Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados. (Mateus, VI: 14 e 15).”

"Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pegares o último ceitil. (Mateus, V: 25e 26)."


[1] O livro dos espíritos – Cap10 Bem aventurados os misericordiosos, Perdoai para que Deus vos perdoe.
[2] O livro dos espíritos – Cap10 Bem aventurados os misericordiosos, Reconciliar-se com os adversários.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Perdão

Ola Pessoal! 

Vamos falar hoje de uma capacidade da alma que pode ser de grande ajuda em nosso aprimoramento moral e conseqüentemente em nossa evolução espiritual. Mas o que seria o perdão? É um processo mental e espiritual de cessar o ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou a si mesmos, decorrente a uma falta cometida.

Todo ser humano busca para si mesmo a paz e a bonança, e quando temos dentro de nós o sentimento de culpa e pesar ele acaba se tornando para nós um suplicio na forma de remorso, sentimento esse que aos poucos aniquila nosso amor próprio e nos impede em muitos momentos de podermos seguir em frente de “cabeça erguida”.

Alguns irmãos infelizmente usam a palavra “Desculpa” como uma “palavrinha mágica”, que é usada para retirar todo o desconforto gerado após uma atitude errônea, usam-na de forma leviana e sem ter considerado seu verdadeiro significado. Fazem dela uma “carta na manga” para momentos em que precisam ser bem visto após um erro, como se estivessem seguindo apenas normas de ética e/ou etiqueta.

Quando se age desta forma a pessoa se vê isenta de todo pesar e continua a agir de forma irresponsável e com o tempo tende a se acomodar, pois acha que todas suas atitudes serão desculpadas. Pessoas que agem dessa forma não conseguem ter a verdadeira visão do real perdão, que eh analisar sua falta, se botar no lugar do agredido e perceber sua real atitude, e ao perceber que foi um agressor na ocasião pedir perdão, mas com a consciência de ter ferido o próximo e com o intuito de não voltar a repetir a atitude inconseqüente.

Ao fazer a analise da situação, o individuo ira usar de seu próprio conhecimento e sua própria moral, ou seja, se limitara a seu nível de evolução, o que em muitas vezes irá turvar sua visão real, mas não podemos dizer que seja isso um problema, pois para sabermos se agimos de forma correta ou incorreta para com o outro basta respondermos a nós mesmos a seguinte pergunta: “ Eu gostaria que alguém tivesse agido dessa forma comigo?”. Lembremo-nos dos ensinamentos do Cristo de somente fazer aos outros o que queríamos que estes nos fizessem.

Em muitos momentos o nosso orgulho interfere neste ponto e nos coloca na posição de sempre corretos, mascarando nossa atitude com diversas desculpas e razoes, neste momento devemos parar e reavaliar muito nossos corações, pois podemos estar entrando em declínio moral que irá prejudicar e muito nosso convívio social e principalmente nossa caminhada evolutória.

Muitas pessoas não conseguem se perdoar por terem tomado determinadas atitudes. Quando agimos dessa forma bloqueamos o que temos de mais precioso que é a oportunidade de usarmos o hoje para refazermos um caminho correto e feliz. Devemos olhar nossos erros e aprender com eles a não repeti-los, tendo noção de nossa condição humana e falível.

Quando temos a consciência dos nossos próprios erros e imperfeições, temos então a capacidade de perdoar os outros, pois saberemos que como nós eles também são seres humanos falíveis dignos de serem perdoados. Não nos esqueçamos que em muitos momentos dissemos, sem nem perceber: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Quando analisamos a oração que em muitos momentos nos é automática vemos a profundidade de suas palavras.

Claro que devemos ter em nossa mente a consciência de que existem pessoas aproveitadoras e que as mesmas abusarão de nós se sempre as perdoarmos. Em relação a estas pessoas devem ser estabelecidos limites para que possa existir um convívio saudável e aproveitável sem nenhum tipo de abuso, e lembremo-nos em alguns casos da frase de Alfred de Musset, “Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento”.


Caso o perdão não nos seja pedido, isso não nos impede de perdoar nosso agressor quando temos noção de sua condição humana e percebemos que sua atitude foi irresponsável, irá fazer com que nos aliviemos da magoa e do ressentimento que podem ser gerados, mostrando-nos o quão forte estamos nos tornando e experimentando a paz interior que advêm da maravilhosa capacidade de perdoar.

domingo, 28 de agosto de 2011

A Paz


Olá pessoa!

Hoje vamos falar da paz, sentimento esse tão grandioso que se estende desde a simples tranqüilidade de um momento quanto a ausência de violência mundial. Paz!...uma palavra tão pequena, mas tão profunda.

O que nos tira a paz? Por incrível que pareça, a paz é um estado de espírito quase que nulo no ser humano e é o sentimento mais fácil de ser modificado.

Estamos sempre em busca de algo, atrás de sonhos e expectativas, quando fazemos esta busca nos deparamos com diversos fatores no caminho e a maioria deles nos traz sensações desagradáveis que perturbam a nossa paz interior. Quando ocorre essa mudança entramos num estado de perturbação interna.

Infelizmente existem pessoas que passam por situações que lhes pressiona a um pesar, um sofrimento, uma angustia. Mas em muitos casos nós nos impomos essa perturbação, esse sofrimento por nossa ignorância perante os ciclos da vida.

Encontramo-nos na maior parte do tempo alienados, buscando prazeres, satisfação para nossos desejos, ilusões ou até mesmo necessidades frívolas geradas por nossa própria ganância e egoísmo, essas buscas geram momentâneo prazer quando alcançadas, se alcançadas, mas até la passamos por um período de perturbação.

Nossa inferioridade é como uma febre que causa sofrimento e tormento mesmo quando nos encontramos em boas condições.

Podemos dizer que a inferioridade é a raiz do problema, pois cria condições propícias para que os desejos frívolos e carnais se aflorem, revelando faces que nós mesmos desconhecíamos sobre nossa psique. Quando entendermos que tudo na vida esta interligado, absolutamente NADA age de forma isolada, veremos a efemeridade das coisas.

Os melhores exemplos de perfeição são analisados na natureza, se tirarmos tempo para analisá-la receberíamos grandiosos ensinamentos. A natureza é como uma rede, feita de inúmeras malhas interligadas, tendo cada malha o seu lugar e responsabilidade em relação as outras. 

A inflorescência, bem como a queda as folhas acontecem, motivadas por uma série de condições. A inflorescência não aparece incondicionada, nem a folha cai por si mesma. Belas flores podem nascer, mas um dia também irão secar, na vida tudo esta em constante movimento e transformação.

Podemos ver que tudo tem seu aparecimento e desaparecimento; nada pode ser independente ou imutável. As leis que regem o mundo são imutáveis, tudo é criado, tudo desaparece ou toma novas formas, motivado por uma série de causas e condições, tudo muda nada permanece imutável.

Se formos analisar essas oscilações, me refiro as verdadeiras, não as impostas pela nossa própria ganância e tolice. Poderemos ver que até mesmo essas oscilações de sentimentos tem função em nossas vidas, é graças ao sofrimento que a felicidade tem valor. E saberemos ao passar por essas dificuldades o quão forte nos tornamos quando sabemos converter sofrimento em aprendizado.

Dizem que o tempo apaga o sofrimento, eu discordo... quando mal entendido o sofrimento, o tempo apenas o tira o problema do foco de nossa atenção. Mas quando compreendido, aceito e transformado, veremos então nascer uma virtude chamada resignação que é uma grande companheira para nossa evolução espiritual.

domingo, 21 de agosto de 2011

O Medo

Olá Pessoal!

Hoje falaremos do medo! Mas que medo? O que é o medo? Um aviso extra-sensorial? Um conselho ou aviso da alma? Ou uma simples ilusão?

Medo em geral é a emoção que prece sucede uma interpretação (exterior ou interior) que nos põe em estado de alerta, quando se desenvolver se torna o pavor e pode levar a ataques de pânico.

Normalmente o medo acompanha-nos desde a mais tenra idade, desde os exemplos de monstros sob a cama até o mais surreal medo infantil. Os medos quando não bem direcionados e encarados geram o que se conhece por fobia, que tem uma infinidade de variações.

Podemos dar um exemplo da hidrofobia, que seria o medo excessivo da água ou líquidos. A pessoa com hidrofobia se vê em real pânico ao visualizar, por exemplo, uma piscina e alguém a pressionar para nela entrar, poderia ela encarar o seu medo o que seria muito difícil e talvez ainda mais traumático para ela, e faria com que ficasse muito desconfortável se cercada de outras pessoas.

Ou poderia ela, por alguns momentos do dia, se visualizar nadando. Não seria algo inútil e sim uma grande experiência subjetiva. Onde o indivíduo se colocaria dentro da água, iria senti-la de forma viva e com o tempo poderia aos poucos e gradativamente diminuir a aversão a água e líquido.

O medo ajuda-nos a manter o bom senso, mas a partir do momento em que passa a interferir em nosso dia a dia ele se torna extremamente prejudicial.

Agora analisaremos o medo de uma perspectiva interna, o medo que temos de nós mesmos. Quantas pessoas não se aceitam interiormente? Que tem medo dos seus pensamentos? Que se torturam para agirem de forma adequada para seres alvo dos mais vazios elogios, mas que por dentro se reprimem e se torturam por não se sentirem sinceros consigo mesmos?

Claro que temos que ter compostura e ética social, mas viver de forma a anular nossa própria identidade e personalidades não engrandece a nossa vivencia nem experiência espiritual. Quando agimos de forma agradável, que possa ela ser de forma sincera para nos ser também agradável. E se agimos de forma desagradável e desordeira, saibamos reformar nosso interior com razões sensatas e desejo de renovação, não com repressão.

Quando negamos nossa própria identidade, começamos a gerar em nosso interior um ciclo destrutivo que prejudica os chakras plexo solar e cardíaco, que começam a dar sensações de vazio e descompasso cardíacos, devido a obstruções energéticas.

Quando negamos ou reprimimos nosso lado ruim, criamos então nossas “sombras” (termo junguiano para denominar o lado negro da personalidade), essas sombras são nossas falhas, pensamentos viciosos e perversos e de toda a sorte de maneira negativa.

Quando temos essas repressões começamos a nos martirizar quando temos determinado pensamento ou atitude, digamos que começamos a ter medo de nós mesmos!! Mas devemos por outro lado aceitar o nosso lado sombra, e trabalharmos com ele e não fingir que não estamos o vendo.

Quem vive dessa forma se torna escravo de seus próprios medos e ao mesmo tempo anseios, que é juiz e escravo da própria causa. Se auto subjugando a um estado de inquietação e sofrimento, que prejudica tanto seu convívio social quanto seu desenvolvimento e progresso espiritual.

Quando percebemos nossas más inclinações devemos transformá-las, conscientizar-nos para reforma íntima, para podermos transformar “a sombra em luz”. Devemos admitir essas falhas e lutar para uma melhora, um crescimento.

Quando nos arrependemos, analisamos algo, tomamos consciência e mudamos nossa opinião sobre o ocorrido. Tomar consciência é uma expressão moderna que significa discernimento da vida exterior e interior, acrescida da capacidade de julgar moralmente os atos.

Quem se arrependeu é porque examinou suas profundezas e descobriu que seus desejos e tendências nada mais são que impulsos comuns a todos os seres humanos. Quem se arrependeu é porque aprendeu que é simplesmente humano, falível e nem melhor nem pior do que os outros.

Todos temos inclinações e falhas morais, mas a diferença de cada um esta nos esforço individual e intransferível de lutar pelo seu progresso moral. Ninguém evolui por ninguém e ninguém pode forçar a mudança de ninguém, pois esta deve vir de dentro! Temos a citação do espírito São Luis, que pode nos ser útil [1]“Há-os de arrependimento muito tardio,. porém, pretender-se que nunca se melhorarão fora negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode tornar-se homem.”

Comecemos hoje a nossa reforma intima e nossa renovação, depende apenas de nós mesmos!!

^-^


[1] O livro dos espíritos – questão 1007.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Texto Complementar da Coragem

Olá pessoal!

Hoje os textos complementares serão relacionados a coragem e espero que possamos refletir sobre essas palavras para começarmos uma coisa que falaremos muito adiante. A reforma intima.

Se alguém te ferir na face direita

[1]"Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quer demandar-te em juízo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e se alguém te obrigar a ir carregado mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil. Dá a quem te pede, e não volte às costas ao que deseja que lhe emprestes.

Os preconceitos do mundo, a respeito daquilo que se convencionou chamar ponto de honra, dão esta suscetibilidade sombria, nascida do orgulho e do exagerado personalismo, que leva o homem à geralmente retribuir injúria por injúria, golpe por golpe, o que parece muito justo para aqueles cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrenas. Eis por que dizia a lei mosaica: Olho por olho e dente por dente, mantendo-se em harmonia com o tempo em que Moisés vivia. Mas veio o Cristo e disse: “Não resistais aos que vos fizer mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra”. Para o orgulhoso, esta máxima parece uma covardia, porque ele não compreende que há mais coragem em suportar um insulto, que em se vingar. E isto, sempre, por aquele motivo que não lhe permite enxergar além do presente. Deve-se, entretanto, tomar essa máxima ao pé da letra? Não, da mesma maneira que aquela que manda arrancar o olho, se ele for causa de escândalo. Levada as últimas conseqüências, ela condenaria toda repressão, mesmo legal, e deixaria os campos livres aos maus, que nada teriam a temer; não se pondo freio às suas agressões, bem logo todos os bons seriam suas vítimas. O próprio instinto de conservação, que é uma lei da natureza, nos diz que não devemos entregar de boa-vontade o pescoço ao assassino. Por essas palavras, Jesus não proibiu a defesa, mas condenou a vingança. Dizendo-nos, para oferecer uma face quando formos batidos na outra, disse, por outras palavras, que não devemos retribuir o mal com o mal; que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a reduzir-lhe o orgulho; que é mais glorioso para ele ser ferido que ferir; suportar pacientemente uma injustiça que cometê-la; que mais vale ser enganado que enganar, ser arruinado que arruinar os outros. Isto, ao mesmo tempo, é a condenação do duelo, que nada mais é que uma manifestação do orgulho. A fé na vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa o mal impune, é a única que nos pode dar força de suportar, pacientemente, os atentados aos nossos interesses e ao nosso amor próprio. Eis por que vos dizemos incessantemente: voltai os vossos olhos para o futuro; quanto mais vos elevardes, pelo pensamento, acima da vida material, menos sereis feridos pelas coisas da Terra."


A Vingança

[2]"A vingança é um dos últimos resíduos dos costumes bárbaros, que tendem a desaparecer dentre os homens. Ela é, como o duelo, um dos derradeiros vestígios daqueles costumes selvagens em que se debatia a humanidade, no começo da era cristã. Por isso, a vingança é um índice seguro do atraso dos homens que a ela se entregam, e dos Espíritos que ainda podem inspirá-la. Portanto, meus amigos, esse sentimento jamais deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e se afirme espírita. Vingar-se é ainda, vós o sabeis, de tal maneira contrário a este preceito do Cristo: “Perdoai aos vossos inimigos”, que aquele que se recusa a perdoar, não somente não é espírita, como também não é cristão.

A vingança é um sentimento tanto mais funesto, quanto à falsidade e a vileza são suas companheiras assíduas. Com efeito, aquele que se entrega a essa paixão cega e fatal quase nunca se vinga às claras. Quando é o mais forte, precipita-se como uma fera sobre o que considera seu inimigo, pois basta vê-lo para que se inflamem a sua paixão, a sua cólera e o seu ódio. No mais das vezes, porém, assume uma atitude hipócrita, dissimulando no mais profundo do seu coração os maus sentimentos que o animam. Toma, então, caminhos escusos, seguindo o inimigo na sombra, sem que este desconfie, e aguarda o momento propício para feri-lo sem perigo. Ocultando-se, vigia-o sem cessar, prepara-lhe cilada odiosa, e quando surge à ocasião, derrama-lhe o veneno na taça.

Se o seu ódio não chega a esses extremos, ataca-o na sua honra e nas suas afeições. Não recua diante da calúnia, e suas pérfidas insinuações, habilmente espalhadas em todas as direções, vão crescendo pelo caminho. Dessa maneira, quando o perseguido aparece nos meios atingidos pelo seu sopro envenenado, admira-se de encontrar semblantes frios onde outrora havia rostos amigos e bondosos; fica estupefato, quando as mãos que procuravam a sua agora se recusam a apertá-la; enfim, sente-se aniquilado, quando os amigos mais caros e os parentes o evitam e se esquivam dele. Ah! O covarde que se vinga dessa forma é cem vezes mais criminoso que aquele que vai direto ao inimigo e o insulta face a face!

Para trás, portanto, com esses costumes selvagens! Para trás com esses hábitos de outros tempos! Todo espírita que pretendesse ter, ainda hoje, o direito de vingar-se, seria indigno de figurar por mais tempo na falange que tomou por divisa o lema: Fora da caridade não há salvação. Mas não, não me deterei em semelhante idéia, de que um membro da grande família espírita possa jamais ceder ao impulso da vingança, mas, pelo contrário, ao do perdão."


Que possamos desde já manter próximas aos nossos corações tão sábios ensinamentos, para que possamos mais depressa fazer com que esses sentimentos que geram um ciclo vicioso de sofrimento geral tenha mais logo um fim. Que comecemos por nós mesmos com pequenos passos, para com o tempo sermos exemplos e que o mesmo se espalhe e a reforma seja universal.

Espero que tenham gostado ^-^.


[1] Evangelho segundo o espiritismo – Cap12 Amai os vossos inimigos, se alguém te ferir na face direita.
[2] Evangelho sgundo o espiritismo – Cap12 Amai os vossos inimigos, A vingança.

domingo, 14 de agosto de 2011

A Coragem

Olá pessoal!

Hoje falaremos da coragem!! Mas de uma coragem sincera, não da bestialidade dos animais que ao se sentirem ameaçados partem para a violência. A coragem não é arrogância, agressividade nem determinação calculista. É a certeza intima de saber agir de forma coerente e ter firmeza de caráter.

A coragem é uma importante capacidade da alma, pois da reforço e firmeza para todas as outras. Ser corajoso é ser consciente que se corre riscos mas sabe enfrentar o futuro, tomando as rédeas de sua vida, sabendo agir com moderação e sabendo principalmente arcar com as responsabilidades de seus atos.

Sabe dizer “não” para os abusos de outras pessoas, e sabe viver de forma plena, autentica e sincera, pois acredita e faz o que é certo para si com o coração leve e feliz. Claro que para sabermos o que é certo temos que ter certo nível de conhecimento para tal, e respeitarmos as leis divinas. Mas esse saber depende apenas de cada um de nós, não existe aquele que não possa aprender e evoluir. Não se pode confundir a coragem e determinação, com teimosia insensata.

A sociedade atual vive de forma a padronizar as pessoas, fazendo com que elas percam suas verdadeiras identidades. Essa padronização faz com que as pessoas vivam de forma alienada e destrói as potencialidades latentes de cada um de nós.

Precisamos aprender a escutar a voz de nossa alma e não a voz do nosso orgulho! Geralmente, as pessoas vivem de forma a serem movidas por elogios e isso as inutiliza, pois vive de forma a se adequar a padrões estabelecidos por outros.

Aos poucos vai perdendo a identidade e com o tempo a independência, pois vive de forma a agradar seus “manipuladores” e quando tentar retomar a sua vida de forma autentica, provavelmente vai receber a desaprovação e as críticas daqueles que o controlam.Quem vive de forma reprimida, com o tempo tende a se abater pela falta de ligação com seu eu interior.

Mas o indivíduo corajoso pensa por si mesmo, claro que com coerência e bom senso, visando padrões elevados de conhecimentos, e vive de forma genuína ainda que com o medo da rejeição e da discriminação, que talvez possa o ameaçar, mas aprendemos com os grandes missionários da historia que não deixaram alem de seus grandes ensinamentos, um aprendizado a parte, que não se pode agradar a todos e que precisamos ser livres das opiniões alheias.

Podemos ter como exemplo o único ser perfeito que veio sobre a Terra, Jesus. Que apesar de agir de forma completamente diferente da sua época e sabendo que poderia sofrer, se manteve firme na sua caminhada, pois sabia que não precisava agradar aos homens e sim a Deus. Seguiu seu coração e deu o sangue e a vida pelo que considerava certo. Sua vida é um modelo de perfeita coragem, bondade, justiça, caridade, humildade e principalmente de amor.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Texto Complementar da Baixa Estima

Olá Pessoal!

E quando a auto estima tem inicio em nós mesmos? Muitas pessoas se sentem incapazes ou inúteis, esses sentimentos levam a uma autopiedade. Essa autopiedade começa a diminuir e desestabilizar nossos padrões vibratórios e isso resulta em??

Doenças e transtornos! Doenças não são apenas resultados de desarranjos da natureza. A maioria de nossas doenças se iniciam em nós mesmos, em nosso espírito “doente”(de forma vibratória), o espírito não é afetado pela matéria e sim pelos pensamentos, sentimentos, emoções e as vibrações que os mesmos geram, mas o corpo físico é afetado de todas as formas pelo espírito, quando o mesmo se encontra saudável o corpo responde positivamente, quando o espírito esta em desequilíbrio os mesmos se refletem no corpo.

Percebe-se facilmente uma pessoa com baixa-estima, ela é insegura e não confia em si próprio, não tem experiências INTERIORES, pois não valorizam seu mundo interior e não despertam capacidades e potenciais latentes. Isso faz com que tenha uma visão extremamente pequena e focada da vida e de seus acontecimentos.

Quando deixamos de interpretar as ocorrências da vida e o seguimento natural que implicará seu destino, nossa existência mergulhará numa total falta de sentido. Muita gente se sente mal por não conseguir ou não saber realizar determinadas tarefas ou não saber lidar com determinadas situações.

Cada indivíduo tem uma forma de pensar e de reagir a situações. Ninguém pode cobrar de outro ser uma resposta idêntica a sua isso somente geraria aflição para ambas as partes. Um exemplo perfeito disso é cobrar de uma criança uma atitude adulta. Quantos pais falam com seus filhos de forma agressiva, pois as mesmas tomam atitudes infantis. Uma criança não pode e nem tem condições de agir como um adulto, pois não tem a bagagem necessária para tal. Somos como as crianças em muitos momentos, mas isso não significa que somos piores (nem melhores) do que ninguém.

“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. (...) os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de que carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida.”

Temos antes de tudo que analisar que simples e ignorantes não significa inferior! Simples significa — básico, espontâneo, natural e primário. Ignorante — aquele que não tem consciência de si mesmo. Todos têm o potencial para crescer e se desenvolver.

Esse potencial em muitos momentos se encontra latente pelo fato de não confiarmos em nós mesmos, e por não nos acharmos em condições de realizar determinadas atitudes. O maior sentido de nossa encarnação é a conscientização da riqueza de nosso mundo interior. Somos essências divinas em busca da perfeição, cujo caminho é o autodescobrimento.

Mas o fato de muitas pessoas serem dotadas de capacidades grandiosas não faz delas melhor do que ninguém e nem mais adiantada (cuidado com o orgulho!! ).Podemos comparar a nossa evolução como asas de um anjo. Uma asa o lado intelectual e outra o lado moral, se desenvolvermos apenas uma seremos incapazes de voar. Devemos então, mesmo que em pequenas progressões ir avançando intelectual e moralmente para podermos alçar grandes vôos, sem o medo da “queda” (infortúnios de toda sorte).

Algumas pessoas capacitadas se perdem e usam suas capacidades para fugir do mundo (o que falamos no 1 post), outras se sentem incapazes de realizar qualquer coisa e se sentem “inválidos”. E alguns pelo fato de serem capazes se engrandecem e caem, mais hora menos hora, vitimas de seu próprio orgulho.Ser humano é um “bichinho” complicado né? hehehe...

Para Diminuirmos um pouco nossa baixa estima podemos pensar da seguinte forma:

— somos potencialmente capazes de tomar decisões sem ter que recorrer a intermináveis conselhos;
— possuímos urna individualidade divina completamente distinta da dos outros;
— fazemos as coisas porque gostamos, não para agradar as pessoas;
— usaremos, constantemente, de nosso bom senso; portanto, as críticas e as desaprovações não nos atingirão com facilidade;
— tomaremos nossas próprias decisões, respeitando, porém, as dos outros;
— confiaremos na Luz Maior que há em nós; ela sempre nos guiará pelos melhores 
caminhos.

Que possamos refletir em relação a nos mesmos e que possamos decifrar nossa intimidade. Que possamos lutar em favor da evolução geral, evolução essa que se inicia no nosso próprio exemplo, bons e ruins. Que começam a ser notados, analisados, introjetados e seguidos, mudando aos poucos o mundo. Essa velocidade depende apenas do esforço de cada um de nós.

Até semana que vem ^-^...

domingo, 7 de agosto de 2011

Baixa Estima

Olá Pessoal!

Hoje vamos falar desse sentimento que esta tão disseminado entre os homens. Que aniquila potenciais e destrói grandes oportunidades de desenvolvimento. Muitas pessoas agem de forma a se martirizarem com sentimentos de culpa, excessiva carga emotiva negativa que desenvolvem freqüentes sensações de inadequação e constante frustração em decorrência da desvalorização da capacidade e habilidade pessoal.

Esses sentimentos quase sempre tem como berço a tenra idade onde um conjunto de idéias foram recalcadas no inconsciente da criatura pelas “crenças” sociais. Todos com o passar do tempo e com o convívio social, absorvemos conceitos e idéias que nos são transmitidos pela família e pela sociedade em vários níveis, alem das analisadas e criadas por nós mesmos.

Podemos dizer que todo complexo de inferioridade inicia-se no materialismo?

Pode-se dizer que sim, pois a pessoa materialista, ao ver-se em muitos momentos presa a padrões de vida que para ela não são adequados, ou se ver presa a idéias que não são aceitas internamente mas que são impostas a ele, e ao pensar que só “tem essa oportunidade” de viver. Começa a agir de forma incoerente e revoltada.

A criatura materialista precisa então crer que é superior, para compensar sua idéia que tem da insignificância da existência ou na falta de sentido em que vive. O ser espiritualizado ao contrario, se vê igual seus semelhantes, porque sabe que as Leis que regem o universo servem para todos e que cada pessoa é tão boa quanto pode ser, conforme seu grau evolutivo, que também depende do esforço individual.

Por detrás das atitudes de superioridade que apresentam perante os outros, quase sempre estão tentando suprir um sentimento de inferioridade. Naquele pensamento de: “Vou tentar te diminuir, para me sentir melhor!”

Em muitas ocasiões, as pessoas tentam compensar esse sentimento de inferioridade,
adotando formas de viver em que exageram e exaltam a própria personalidade. Tendência à
arrogância, delírio megalomaníaco, preferência pela ostentação fazem parte do cortejo daqueles que possuem uma interiorizada depreciação de si mesmos.

Quando somos materialistas e não miramos nossos olhos para a Eternidade, cremos que tudo provem do acaso e que nada existe senão no plano físico, é assim que se inicia o processo de inferioridade. Criamos então padrões de vida inconscientes, baseados em que já que “não somos nada” e nos consideramos um produto do acaso.

Ignoramos nossa essência divina e vivemos acusando o acaso ou a má sorte, que insiste em cair sobre nós, pois desconhecem ou rejeitam as Leis Divinas e Naturais que regem tudo e a todos de forma igual, sem qualquer distinção.

Temos esta linda citação que nós é muito útil , [1] “A providência primeira e essencial, para que possamos nos curar do sentimento de baixa estima ou inferioridade, é a convicção na imortalidade das almas e na pluralidade das existências, somada à crença de que somos seres espirituais criados plenos e completos, vivendo uma experiência humana com o objetivo de nos conscientizarmos dessa nossa plenitude inata.As providências seguintes a serem tomadas deverão ser reflexões sobre as causas de nossos sentimentos de inferioridade, o modo como foram adquiridos e as crenças que os motivaram. É essencial lembrar-nos de que sempre é possível alterar ou transformar nosso “estilo de vida”. Para tanto, não duvidemos de nossas aptidões e vocações naturais, nem questionemos, sistematicamente, nossas forças interiores. Para obtermos autoconfiança, somente é preciso reivindicarmos, valorosamente, o que já existe em nós por direito divino.”

Podemos tomar também esta citação, para refletirmos em relação ao acaso , [2] “a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso (...) A harmonia existente no mecanismo do Universo (...) revela um poder inteligente (...) o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.”

Reflitamos nessas palavras sobre algumas atitudes e pensamentos que veremos quinta feira a baixa estima de outra forma ainda mais intimamente liga a nossa vida interior.

[1] As dores da alma – Francisco do Espirito Santo Neto – Pelo espírito Hammed. Baixa Estima I.
[2] O livro dos espíritos – Parte I, Cap I, questão 8.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Texto complementar da solidão

Olá Pessoal!

Geralmente sofremos por estarmos sozinhos, mas colaboramos para termos companhia? Somos agradáveis e amigáveis? Ou somos desagradáveis?

Muitos são os fatores que podem responder essas perguntas. Algumas pessoas se tornam amargas perante a vida e descontam suas tristezas e infelicidades nas pessoas ao seu derredor, o que faria com que elas se afastassem. Ninguém tem o dever de ser o “Bode expiatório” para a sua amargura! Ninguém tem culpa pela sua falta de aceitação, resignação, submissão e coragem perante os acontecimentos da vida!

 Algumas pessoas vivem presas no ciclo da tristeza e por se acomodarem a esses padrões vibratórios, vivem tristes e ao se aproximarem de outras pessoas elas se afastam o que faz com que ela aumente ainda mais sua tristeza em um ciclo sem fim, ciclo esse que só se romperá no momento em que a pessoa se libertar dos pensamentos viciosos de tristeza e se esforçar (por mais que tenha motivos) a se animar e ser alegre.

Algumas pessoas têm a tendência de se acharem maiores ou melhores do que outras o que faz com que em muitos momentos trate os que o cercam de forma grosseira e até mesmo maldosa, muitas vezes sem nem perceber. Pessoas que assim agem tendem a ficar com o tempo sozinhas, e se não sozinhas cercadas de pessoas que a ela se ligam por interesse e conveniência. Até mesmo as mais belas flores (amizades sinceras) murcham se não são bem cuidadas!

Para sabermos se nossa conduta perante os outros é correta lembremo-nos sempre das palavras do Cristo: “Só fazer aos outros o que tu queres que os outros façam a ti”, refletindo antes de agir sobre essas palavras saberemos como agir, pois ninguém deseja o mal para si mesmo.

Seria tão bom se o homem vivesse de forma harmônica e agradável, mas nem sempre é assim. Se todos soubessem como é ruim estar sozinho, seriam mais bondosos.

Até agora falamos da parte “triste” da solidão. Mas a solidão é algo necessário! Não me refiro a solidão eterna, nem a “tristeza de estar sozinho”. Mas sim ao fato de termos que reservar momentos do nosso dia para a “solidão”.

Solidão essa que seria o momento no qual entraríamos em contato com nossa essência, poderia ser mais bem considerada como um momento de reflexão.  Onde acalmaríamos nossa mente e refletiríamos sobre nós mesmos e sobre nossas experiências.

Em muitos momentos no tumultuo de nossas vidas, os dias e noites passam de certa forma “batidos”, vão passando e passando sem que lhes seja dada análise alguma! O que é para nós prejudicial de varias formas, pois necessitamos dessa reflexão para podermos tirar conclusões e aprendizados de nossas experiências (boas ou ruins), e para que possamos alcançar uma evolução espiritual.

Em muitos momentos de nossas vidas recorremos a outras pessoas para explicarem o que se passa em nossas vidas, essa conversa pode ter vários rumos e “fins” dependendo do nível de evolução do ouvinte. Esses desabafos nos ajudam a assimilar e por em “ordem” nossas idéias, porem ninguém pode assimilar bem uma experiência que não provenha de sua própria orientação interior. Mas o que seria isso?

Seria que apesar de contarmos o que sentimos e recebermos conselhos, dicas, “bálsamos” ou “mais lenha para a fogueira” dependendo dos casos. Devemos SEMPRE refletir após a conversa em um momento de quietude interior e chegar a uma conclusão PRÓPRIA! Nunca aceitar apenas a visão externa dos fatos, pois por mais bela e instrutiva que ela tenha sido, ela será vazia, pois não terá sido assimilada e aceita pelo nosso Eu interior, fato que só ocorre após a reflexão.

Não podemos silenciar o mundo, mas sempre teremos algum momento onde podemos nos acalmar e silenciar nossa mente e coração, para uma reflexão sincera e mais calma sobre os fatos de nossas vidas.

Em muitos casos após análise calma e sincera, muitos fatos que podem parecer extremamente assustadores por terem nos pego de surpresa na maioria das vezes se tornam simples. Motivo esse pelo qual a “solidão” em alguns momentos é essencial para nosso crescimento.

Aprendamos com o exemplo de Jesus que se recolhia na solidão e no silencio do templo da alma, onde se encontram as reais concepções de amor e da justiça, paz e felicidades, que todos nos temos direitos por nosso Bondoso Pai.

Espero que tenham gostado ^-^.

domingo, 31 de julho de 2011

A Solidão

Olá Pessoal!

Quem de nós nunca se sentiu sozinho? Quem nunca se sentiu deixado de lado? Ou mesmo cercado de pessoas sentiu a solidão ser sua única companheira? O que faz com que sintamos esse sentimento tão amargo dentro de nossos corações? Não fomos nós que em muitos momentos e com nossos próprios pensamento e 
atitudes não nos colocamos nesta situação?

Em muitos momentos de nossas vidas, criamos uma idealização, um plano, uma história a qual desejamos seguir de forma reta e de maneira indiscutível. Isso porque todo ser humano necessita de um plano e um traçado para que possa sentir-se seguro e saber que não ficava “a ver navios” perante a vida. Mas quando isso se torna prejudicial? Quando começamos a desprezar nossas tendências naturais e as necessidades dos 
nossos corações, pois isso nos traz se não imediata mas gradualmente, a solidão.

Essa expectativa muitas vezes fantasiosa, quase sempre nos bota na busca de um modelo de perfeição e nossa idéia de modelo social de felicidade. Claro...quem sonha em ser infeliz?? Porem quando de forma prejudicial, essa idealização é formada por pensamentos com bases muitas vezes neuróticas, que seriam: adotar padrões existenciais super rígidos, por vezes impossível de ser atingido, e o orgulho (grande mal da humanidade) alimentado pelo sentimento, de onipotência, superioridade e invulnerabilidade.

Essa idealização ocasiona com freqüência, estados espirituais de tristeza, vazio, aborrecimento. Mas de onde vêm essas idealizações? Muitas são as respostas. Algumas pessoas se tornam obcecadas por suas realizações por sentirem uma forma de debilidade em outro setor de suas vidas.

Na maioria dos casos (prejudiciais), deriva da baixo-estima do individuo, geralmente ainda na infância, onde o indivíduo se sente diminuído, ou vem a pensar isso devido a tratamento dos que o cercam, fazendo-o pensar que não é bom o suficiente ou não é digno do sentimento de carinho e amor.

Esse fator ocasiona diversas situações para um indivíduo e uma delas seria essa idealização, onde ele cria padrões que considera adequado para “ser notado e amado”. Cruel ignorância! Mal percebe que se tornará vítima de si mesmo.

Pois com o tempo irá, aos poucos, aniquilando sua existência no falso pretexto de construir um futuro (muitas vezes o consegue), mas a duras perdas de se ver com toda uma conquista,todo um “império”, porem solitário. Ai então, percebe quão tolo e amedrontado foi perante a vida, de ter se escondido das oportunidades da qual seu coração muitas vezes era desejoso de obter.

E esse “esconderijo”  aniquila com o tempo o convívio social sadio e feliz pois as companhias se aproximam por conveniência e não por afinidade e impede muitas vezes o crescimento e desenvolvimento espiritual do individuo.

Para aniquilar a solidão, devemos entrar em contato com nossa essência. A renúncia deste “eu” idealizado faz com que o indivíduo entre em uma atmosfera de liberdade. Claro que não estou me referindo a viver a vida de qualquer jeito, pois todos temos que traçar planos, porem, de maneira saudável e não obsessiva e neurótica.

Apesar de em muitas vezes perceber com o tempo que estes comportamentos são prejudiciais, preferem se manter neles por criaram uma barreira defensiva, e o medo de voltarem a se sentir “diminuídos” ou de se deixarem “expostos” a sentimentos faz com que cada vez mais se cerquem dessas barreiras que terminarão por sufocá-los.

O amor e o respeito por nós mesmos criam uma atmosfera propicia para descobrirmos nossa verdadeira identidade, trazendo alegria de viver e permitindo assim o desenvolvimento espiritual.

Lembremo-nos de que a solidão aparece, quando negamos nossos sentimentos e ignoramos
nossas experiências interiores. Essa forma comportamental tende a fazer-nos ver as coisas do jeito como queremos ver, ou seja, como nos é conveniente, em vez de vê-las como realmente são. Assim é que distorcemos nossa realidade.

Não rejeitemos o que de fato sentimos. Isso não quer dizer viver com liberdade indiscriminada e sem controle, mas sim reconhecer o devido lugar que corresponda aos nossos sentimentos, sem ignorá-los, nem tampouco deixá-los ser donos de nossa vida.

Se devemos permanecer ou não ao lado de alguém, é decisão que se deve tomar com espontaneidade, harmonia e liberdade, sem mesclas de medo ou imposições.

Vamos parar por aqui, para termos um tempo para reflexão e assimilação desta parte. Até quinta ^-^

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Texto complementar sobre o vício

Olá Pessoal !

Para complementar o texto do vício, no qual falávamos da fraqueza dos viciados perante a vida, busquemos conforto nas sabias palavras do evangelho, onde Cristo nos fala [1]“Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria, mas ah!, poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus vos nega consolações, se não tiverdes coragem.

A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apóie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.

O militar que não é enviado à frente de batalha não fica satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspires a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezes necessitamos de mais coragem que um combate sangrento, pois aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral.

O homem não recebe nenhuma recompensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso. Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: “Eu fui o mais forte”!

 Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzidos: Bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicado as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.”

Que possamos ser fortes perante a vida, pois a aflição pode ser alavanca de progresso. Saibamos usá-la para nos engrandecer e não como motivo para futuras e mais penosas aflições. E principalmente sejamos fortes por nós mesmos e por aqueles que nos cercam que em muitos momentos sofrem conosco mas se mantém firmes para nos auxiliar a ter fé e esperança! Que sejamos fortes por nós mesmos para nos orgulharmos de nossa caminhada terrestre e sairmos dela com dignidade e satisfação.Que possamos ser exemplos de luz, sozinhos somos apenas uma chama mas que possamos em conjunto ser como um sol que dissipa o nevoeiro que a noite deixou pra trás.

           
(1. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. Em “O evangelho segundo o espiritismo” cap. 5,I- Instruções dos espíritos, item 18.)

domingo, 24 de julho de 2011

O Vício


Olá Pessoal !

Hoje vou falar um pouco sobre o vício, problema que sempre afetou a humanidade e que nos dias de hoje esta cada vez mais presente na sociedade. Mas... o que significa vício? Segundo o dicionário significa mau hábito. Estaria isso correto? Em partes, pois o mau habito seria mais a conseqüência do vício.

Temos uma visão muito estreita em relação ao vício, sempre usamos a palavra vício quando vemos alguém que usa entorpecentes, que bebe ou fuma, temos também o costume de considerá-los vadios e delinqüentes, o que demonstra nosso costume de olhar as coisas externas com “maus olhos”.

Não estou tentando passar uma imagem que suas atitudes devem passar impunemente, pois toda atitude traz consigo uma conseqüência seja ela qual for, e sabemos que em muitos casos para sustentar os vícios os dependentes fazem muitas vezes escolhas e atitudes muito infelizes,mas existem formas diversas de vícios até mesmo pensamentos e atitudes podem ser viciosos.

Temos que ter em mente que os dependentes são irmãos carentes e sofridos que tem uma vida íntima muito infeliz e mal resolvida, o ambiente perturbado e em desalinho ajuda muito o desenvolvimento de um dependente, mas a fraqueza para ceder ao vício se encontra em cada um.

Mas de onde nasce essa fraqueza? Bem...temos em cada parte do mundo uma forma de cultura e uma crença, conhecimentos passados para os descendentes e para os que nos cercam numa troca incessante de conhecimentos, porem nem sempre os mesmo tem fundamento e se encontram corretos.

Infelizmente, muitas pessoas aceitam informações externas e as tomam como verdades absolutas porque tiveram como fonte, alguém por quem o ouvinte tem consideração ou por ser alguém conhecido.

Muitas vezes a transmissão de certos costumes é forçada,num circulo familiar muito tradicional, o que impede o indivíduo de desenvolver seu senso interior e “tomar as rédeas” de sua própria vida, seguindo suas escolhas e tendências, porem isso é apenas um agravante, não é em momento algum a raiz do problema e não isenta o dependente de sua própria responsabilidade pela sua atual situação.

Mas o que leva o dependente a fazer isso? Muitas são as respostas e possibilidades, mas podemos chegar sempre a uma resposta semelhante, que seria a fuga da realidade, eles possuem seus planos mentais tão perturbados e sofrem um enfraquecimento energético tão forte que preferem fugir e se esquecer da realidade.

Preferem usar o vício como uma barreira que barra a realidade e funciona como uma falsa proteção, pois eles constroem um mundo intimo com suas falsas explicações por não perceberem ou não aceitarem sua realidade.

A realidade para eles é tão destrutiva, que o mundo mental deles se torna caótico, consumindo-lhes as energias e fazendo com que vivam em constante “embriaguez da alma”, entre fluidos de abatimento, fadiga e tédio, que faz com que se tornem alienados e ociosos.

Na verdade eles não se tornam ociosos, pois a ociosidade acaba se tornando a “causa e efeito” dos vícios. Eles usam este fator para não “arregaçarem as mangas” e enfrentarem a parte que lhes cabe na vida. Eles negam seus medos, e tomam atitudes que dificultam seu fluxo existencial e diretamente na sua evolução espiritual.

O viciado na verdade é acomodado, pois tem medo da vida que ele julga ameaçadora, usa o vício e os hábitos destrutivos como uma forma inadequada de segurança e proteção, pois ele se enfraqueceu de tal forma perante a vida que se refugia na dependência de pessoas ou substâncias. E ai... ficou claro? Espero que sim!!  ^-^     

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Texto complementar sobre o Desapego

Todos temos lembranças, recordações, saudades que nos tocam fundo o coração, todo esse "arsenal" pode ser ou não uma forma de apego.  Algumas lembranças são tão fortemente marcadas em nossos corações que uma simples menção nos traz doces lembranças ou amargas tristezas.

Estas formas de recordação que devemos vigiar para termos uma “relação saudável” com nosso passado. O desapego não significa banir as lembranças, nem exige o esquecimento das mesmas, pois toda experiência, seja ela agradável ou desagradável nos traz oportunidades de aprendizado.

Muitas destas lembranças podem nos atormentas e a origem das lembranças são diversas, podem ser relacionadas a empregos e oportunidades perdidas no campo profissional, um cálido “amor de primavera” perdido ou um amor não correspondido, até mesmo aquele amor platônico que tanto sonhávamos em ter. Todas essas lembranças podem se tornar desagradáveis e trazer sofrimento aos nossos corações. 

Mas todas as “perdas” que podem ocorrer na vida humana, a que podemos categorizar como uma das experiências mais dolorosas é a do desencarne. O desencarne muitas vezes causa um trauma inicial muito grande pelo fato de o ente querido ser “arrancado de nós de uma forma rápida e muitas vezes brusca, até mesmo o “desencarne previsto” traz sofrimento.

Perante o desencarne nossos corações muitas vezes se sentem perdidos, vazios e entram em desespero pela tristeza e saudade que iremos sentir pelos nossos. Esses sentimentos que nascem em nossos corações se dão muitas vezes pelo impacto e nossa fragilidade ou pela nossa ignorância perante a vida espiritual.
O desencarne é apenas a extinção do corpo físico a alma, a essência retorna para o plano espiritual, verdadeira “pátria” de todos nós, a vida terrena é uma oportunidade que nos é dada para evoluirmos, podemos considerar a vida terrena como uma escola.

Existe uma forma lúdica de se ver o desencarne que seria como uma viagem, como se todos nós estivéssemos em uma ilha (vida terrena) onde existe doença, fome, guerra e todos os suplícios que o homem muitas vezes causa a si mesmo, e alguns recebessem uma passagem para retornarem ao continente (vida espiritual), onde seriam livres de todas as aflições e martírios do corpo. Os que receberam a passagem se dirigem ao barco obviamente e seguem rumo, se ficássemos observando o barco logo ele desapareceria no horizonte, porem o fato de ele desaparecer não significa que não esteja lá certo?

O desencarne seria como essa viagem de barco, onde nossos entes queridos apenas desaparecem no nosso contato sensorial físico, mas podemos “contatá-los” com o contato da prece cálida, esperançosa e cheia de recordações felizes que enchem o coração de júbilo pela alegria de terem sido vividas, pois a mesma é levada e sentida por eles que também sentem a mesma saudade e sabem que um dia haverá um reencontro, porem também sentem e sofrem quando a lembrança é tortuosa e preenchida de sofrimento e desespero, o que não é raro especialmente no inicio do período de separação.

Encontramos luz nas amorosas e esclarecedoras palavras de [1]Sansão: “Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.
            Criaturas humanas, são nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam umas considerações secundárias, que relegaríeis ao último plano.
            Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.
            É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças querem falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?
            Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.
            Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor.”

Que possamos refletir nestas sábias palavras e expandir nossa consciência em relação ao desencarne. Que possam elas ser um bálsamo para os corações sofredores e que os mesmo se tornem esperançosos. E assim se encerra o tema Desapego, caso exista alguma dúvida a ser sanada basta avisarem que farei o que estiver ao alcance do meu entendimento para esclarecer o assunto.  ^-^

(1. KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. Em “O evangelho segundo o espiritismo” cap. 5, item 21.)

domingo, 17 de julho de 2011

O Desapego

Olá pessoal!

Nesta semana falaremos sobre o desapego. Mas o que seria o desapego? Segundo o dicionário o desapego é desinteresse, desamor, desafeição, e falta de apego. Isso esta correto?

Em partes sim, o desapego na realidade seria apenas a falta do apego, pois o desapego não significa em momento algum o desinteresse, desamor ou a desafeição (que são apenas “sinônimos”), pois o desapego bem compreendido entende a efemeridade das coisas que passam por nossas vidas, mas ao mesmo tempo em que entende isso não deixa ou diminui seu amor ou sua afeição, muito menos age com indiferença.  

As pessoas apegadas se tornam pessoas inquietas e sofredoras, pois se perdem no passado (longo ou recente) e o traz para o presente, na tentativa de reviver suas lembranças, sendo assim o apego seria a memória da “dor” ou do “prazer” passado, atrás de cada dor ou pesar atual existe um apego.

A pessoa apegada se prende a cristalizações mentais e acaba se tornando prisioneira de suas próprias lembranças, trazendo para seu mundo interior a inquietude e o sofrer. Como diz um pensamento budista: “Quando o vento chega e oscila o bambu, o bambu não guarda o som depois que o vento passou. Quando os gansos atravessam o lago, o lago não conserva seus reflexos depois que eles se foram. Da mesma maneira, a mente das pessoas iluminadas está presente quando ocorrem os acontecimentos e se esvazia quando os acontecimentos terminam”. Encontramos neste pensamento um grande aprendizado que devemos carregar sempre conosco, que seria aprender a apreciar os belos momentos, as alegrias, mas sabendo voltar a nossa própria quietude interior quando os mesmos terminam. 

Quando temos algo querido ou pensamos ter a posse de alguém que muito amamos, sofremos ao nos separarmos, um exemplo da manifestação do apego neste caso seria o ciúme (medo de perder), todo aquele que sofre com os ciúmes automaticamente sofre um abalo em seu mundo interior, pois sempre se encontra ulcerado, por pensamentos infelizes e desgostosos, abrindo campo para diversas formas de ataques espirituais de baixa vibração, pois os irmãos que ainda se encontram em patamares inferiores de vibração, que conhecem nossas fraquezas, trabalham sobre elas para nos tirar o equilíbrio perfeito e a vontade de nos mantermos firmes na Luz divina. 

A mente apegada a fatos, acontecimentos e pessoas são incapazes de perceber a sua essência. Uma mente saudável, equilibrada e desapegada se encontra em paz, pois não sofre no momento da separação, ou até mesmo antecipadamente como ocorre com a mente apegada. Pois entende que apesar da separação ocorrer, a essência (sentimento), não se desfaz muito menos se enfraquece apenas se transforma e toma novas feições. A mente apegada alem de se tornar inquieta e sofredora, se torna bloqueada, pois entra em um ciclo de pensamentos que acabam por prende-la e impede-a de ver ao seu derredor e de assimilar outras informações, impedindo até mesmo sua clareza mental, fazendo com que ela se torne  de certa forma sua própria prisioneira. 

Existe por outro lado o desapego “defensivo” que seria se o indivíduo que ao ver que uma situação onde venha a se importar com alguém, ou determinada coisa, se “fecha”, com o medo de amar, de se sentirem presas a um sentimento ou idéia e se tornarem “dependentes” desse sentimento nascente. Esses indivíduos contem seus sentimentos e se isola da vida social, com indiferença e desprezo do seu mundo sensível. 
Pessoas que vivem dessa maneira acham-se insensíveis e auto-suficientes, mas na verdade eles se utilizam da desistência da expressão, do anseio, da vontade e de certa forma restringem e mutilam suas vidas ativas.

O desapego ao contrario nos traz a paz interior, um júbilo pelos acontecimentos, sejam eles quais forem, pelo simples fato de terem ocorrido e terem feito parte de nossa experiência intima e pessoal e nos enriquecido como indivíduos. O desapego nos leva a desenvolver um amplo senso de liberdade e de confiança em nós mesmos, e faz com que vivamos sem medo, nos levando ao crescimento íntimo e a uma expansão mais ampla da consciência. E ai... ficou claro??  Espero que sim! ^-^



quinta-feira, 14 de julho de 2011

O que é o que? O.o’

Antes de dar continuidade e podermos estudar de forma clara os sentimentos, primeiros precisamos deixar claro o que é o que. O que é uma sensação? Uma emoção e um sentimento o que seriam? Todas estas dúvidas devem desaparecer antes que possamos continuar. Vamos então ao que interessa?

O que é uma sensação?

Sensações são as impressões que temos do mundo externo, que podem se manifestar das mais diversas formas desde impressões visuais a táteis (luz, toque,  aromas, etc.), que são transmitidas aos órgãos sensoriais e levadas ao cérebro pelo sistema nervoso. Passamos diariamente por uma infinidade de estímulos (sensações), sendo interpretados somente os necessários.  Os estímulos (sensações) recebidos são iguais para todos, o que muda é a percepção individual e o seu nível de consciência e reflexão.  Embora por vezes se considere a sensação como o ponto de partida para a construção da experiência e do saber, ela não é, no entanto, um dado imediato da consciência: a sensação só se apresenta ao nosso espírito sob uma forma mais complexa, a forma de percepção.

O que é uma emoção?

Emoção é a percepção inicial que uma sensação causa, sendo assim as emoções são a reação inicial a determinada ocorrência, ter emoções é algo instintivo e básico do ser humano que não consegue ficar ímpar do que lhe cerca. Na maioria dos casos as emoções são seguidas de respostas internas (alegria, tristeza, raiva, euforia etc.) e/ou externas (choro, sorriso, face triste, face surpresa, etc.), mas ainda assim se pode ter a emoção sem o correspondente comportamento, então nós podemos considerar que a emoção não é apenas o seu comportamento e muito menos que o comportamento é a parte essencial da emoção. As emoções constituem parte do nosso desenvolvimento geral, ajudando-nos a ter experiências internas que nos moldam como indivíduos. Durante nossa existência temos diversas experiências, algumas felizes outras nem tanto que em muitos momentos apesar de não nos recordarmos, elas ficam guardadas em nosso inconsciente e afloram de diversas maneiras (sonho, uma cena parecida, etc.), algumas emoções nos  marcam tão fortemente, que sempre ouvimos em diversas situações pessoas dizendo: “ Nossa esse perfume me faz lembrar minha irmã que mora longe!”. Junto com estas situações, além da lembrança, o locutor desperta em seu íntimo uma emoção (saudade, tristeza, euforia etc.). 

E o que é um sentimento?

Já o sentimento, seria uma emoção sentida e “pensada”, seria uma emoção tomada em longo prazo que sofre ação da nossa evolução e do nosso conhecimento geral. O ser humano quanto menos evoluído se utiliza dos instintos, e quanto mais evoluído mais se tem o livre arbítrio e o entendimento de seus próprios sentimentos. O sentimento aos poucos desabrocha no ser humano conforme o mesmo se torna sublime, os sentimentos se bem entendidos formam a capacidade interior com o qual nascemos para chegar ao que pensamos ser bom/mal e certo/errado. Sentimentos produzem emoções no corpo que, estas sim serão sentidas. Exemplo disso seria uma pessoa que ama outra, por haver tomado essa decisão de amar essa outra, mesmo depois de sofrer algum mal cometido pela pessoa amada, pode continuar amando-a, muitas vezes sem entender como pode amar ao mesmo tempo que sente a emoção característica do momento da ira, ou da dor da traição, ou alguma outra emoção que, racionalmente, poderia conduzir a pessoa que ama a querer deixar de amar. Os sentimentos assim seriam ações decorrentes de decisões tomadas por uma pessoa. Podemos citar em nível de curiosidade a empatia, que seria a capacidade de obter e captar a informação sobre os sentimentos e emoções alheia.

Um problema que pode confundir o entendimento nesta concepção do que é sentimento, é o fato de que, geralmente, os nomes usados pra se referir a um sentimento, também são os mesmos usados pra se referir às emoções mais características destes mesmos sentimentos.

Resumindo a sensação seria a parte inicial e física, a emoção o “processo”, o momento em que percebemos a sensação e temos a interpretação interna e podemos ou não expressar externamente, e por fim o sentimento que seria o desfecho, a emoção pensada e refletida exteriorizando o nível evolutivo do ser. Então pessoal, ficou claro? Espero que sim ^-^.